Projeto vencedor da primeira edição da Bolsa Amélia Rey Colaço estreia-se sexta-feira

Projeto vencedor da primeira edição da Bolsa Amélia Rey Colaço estreia-se sexta-feira
Lusa

Lisboa, 09 mai 2019 (Lusa) -- Três datas de nascimentos de outros tantos jovens deram o mote ao espetáculo "Parlamento elefante", vencedor da primeira edição da Bolsa Amélia Rey Colaço, que se estreia, sexta-feira, na sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

"Parlamento elefante" é uma criação de Eduardo Molina, João Pedro Leal e Marco Mendonça -- nascidos em 1993, 1994 e 1995, respetivamente -- na qual cada jovem veste a pele dos avós para percorrer o século XX, numa reflexão política e histórica para pesar a democracia, disse Eduardo Molina à agência Lusa.

Criadores e intérpretes da peça, que conta com o músico Mestre André, autor da composição musical, o espetáculo assenta em três linhas paralelas que se entrelaçam: a história dos avós de cada jovem, os acontecimentos do século XX e um desconhecido que ameaça a cidade em que vivem e que representa o futuro, acrescentou Eduardo Molina.

Ao longo da trama, Mário, Alexandre e Guillermo -- avós de João Pedro, Marco e Eduardo, respetivamente -- cruzam-se com personalidades como Che Guevara, os Beatles, Gandhi ou Quentin Tarantino, com super-heróis como o Capitão América ou com instituições como as Nações Unidas.

"Parlamento elefante" é, nas palavras de Eduardo Molina, um espetáculo em que "dos atores ao público, todos se reúnem para forjar leis universais, manipular massas, colaborar em conflitos de interesses, falsificar assinaturas ou outros planos maléficos".

O título da peça foram buscá-lo aos temas sociais e políticos, daí o termo "parlamento". "Elefante", por percorrer "memória do passado, pelo peso que esta acarreta" e por elefante ser "um animal que cresce rumo ao futuro", observou Eduardo Molina.

Amigos desde estudantes da Escola Superior de Teatro e Cinema, os três jovens sonhavam criar um espetáculo próprio desde que terminaram a licenciatura, em 2015.

Quando, em 2018, o Teatro Nacional D. Maria II criou a primeira Bolsa Amélia Rey Colaço, com o Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) e O Espaço do Tempo (Montemor-o-Novo), os três jovens decidiram candidatar-se tentando cumprir um sonho de três anos, referiu Eduardo Molina.

No montante de 18.500 euros, o prémio destinava-se a apoiar uma criação teatral, prevendo também residências artísticas e representações dessa criação em todos os teatros promotores da bolsa. Por isso, "Parlamento elefante" será apresentado em Guimarães (14 de junho) e Montemor-o-Novo (06 e 07 de setembro).

Com cenografia e figurinos de MV, desenho de luz de Rui Monteiro e apoio à dramaturgia do ator e encenador Alex Cassal -- que já os orientara no espetáculo de exercício final da licenciatura, apresentado no Teatro Municipal Maria Matos, em Lisboa -, "Parlamento elefante" pode ser visto até 19 de maio.

Tem espetáculos às quartas-feiras e sábados, às 19:30, às quintas e sextas, às 21:30, e, aos domingos, às 16:30. No dia 12, haverá uma conversa com os artistas após o espetáculo e em simultâneo com as representações estará à venda um CD com a música original do espetáculo.

Após a estreia, o diretor artístico do D. Maria II, Tiago Rodrigues, revelará o nome do vencedor da edição 2019 da Bolsa Amélia Rey Colaço para a qual receberam 37 candidaturas.

Vinte e dois mil euros é o montante desta edição da bolsa, à qual se associou também o Teatro Viriato (Viseu).

Além de "Parlamento elefante", o D. Maria II tem ainda em cena três espetáculos: "Insuflável", "Falas estranhês?" e "Um outro fim para a menina Júlia".

Criado e encenado por João de Brito, que assina a dramaturgia com Joana Bértholo, "Insuflável" é um espetáculo para escolas, em cena de hoje a domingo, na sala Garrett. Para o público mais jovem é também "Falas estranhês?", uma encenação de Catarina Requeijo, em cena no Salão Nobre, até 01 de junho.

Na sala de cenografia, mantém-se, até dia 23, "Um outro fim para a menina Júlia", uma criação de Tiago Rodrigues, que assina também a encenação, espaço cénico e figurinos, a partir de "A menina Júlia", de August Strindberg.