Porto integra nova rede europeia para recolha de informações sobre toxinas marinhas

Porto integra nova rede europeia para recolha de informações sobre toxinas marinhas
Lusa

O Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR) integra uma nova rede europeia que visa recolher informações sobre toxinas marinhas e a forma de aumentar a segurança dos consumidores de alimentos provenientes do mar.

"As zonas costeiras do Atlântico Norte têm vindo a ser atingidas por eventos tóxicos regulares, produzidos por espécies de bactérias e microalgas típicas de zonas tropicais, denominadas de toxinas emergentes", referiu o presidente da direção do CIIMAR, Vitor Vasconcelos.

De entre as toxinas emergentes "mais preocupantes", destacam-se as tetrodotoxinas - produzidas por bactérias marinhas - e as palitoxinas e ciguatoxinas - produzidas por dinoflagelados (organismos unicelulares microscópicos, que exibem uma grande diversidade de formas), indicou o professor da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), outra das entidades portuguesas envolvidas no projeto.

Estas toxinas, explicou, podem acumular-se em moluscos e peixes, e, apesar de não provocarem danos nestes animais, podem levar a graves intoxicações quando ingeridas por humanos.

Daí podem resultar problemas gastrointestinais, como vómitos, diarreia e dores de cabeça, e, dependendo do tipo de toxina, perdas de memória, paralisia muscular e desenvolvimento de tumores.

Através desta nova rede europeia de alerta de toxinas marinhas, designada Alertox Net, o consórcio responsável pelo projeto pretende recolher informação e alertar sobre a presença destas toxinas no alimentos marinhos de consumo humano.

Além disso, tenciona "fornecer às autoridades regulatórias europeias informação relevante, tendo em vista eventuais ajustes à legislação vigente", referiu o coordenador da equipa portuguesa.

O Alertox-Net possibilitará, assim, melhorar e desenvolver métodos de deteção, localização de fontes de origem e controlo de toxinas marinhas emergentes, de forma a reduzir os riscos para a saúde pública.

"Todos os parceiros do projeto desenvolverão um programa de comunicação e disseminação dos seus resultados - incluindo para o público em geral -, organizarão 'workshops' e seminários e publicitarão informações regularmente atualizadas sobre os resultados do mesmo", referiu Vitor Vasconcelos.

As equipas trabalharão em conjunto com as autoridades locais, responsáveis pela monitorização dos produtos do mar, de forma a fornecer informação relevante sobre toxinas ainda não monitorizadas regularmente, acrescentou.

Este projeto, desenvolvido por um consórcio internacional e financiado pelo Programa de Cooperação Interreg Atlantic Area, em cerca de três milhões de euros, é liderado pela Universidade de Santiago de Compostela, envolvendo ainda entidades espanholas, irlandesas, francesas e inglesas.

A FCUP e o CIIMAR serão responsáveis pela configuração, teste e validação do sistema de alerta de deteção de contaminantes no ambiente e pela avaliação do risco de crescimento das toxinas emergentes, relacionado com as alterações climáticas.

As entidades portuguesas procurarão envolver o sector de produção e transformação de pescado nacional, para diagnosticar necessidades e problemas associados às toxinas.

O CIIMAR lidera o projeto EMERTOX, no qual uma rede de instituições e empresas europeias e do Norte de África buscam mapear as toxinas marinhas emergentes no Atlântico Norte e no Mediterrâneo.

"O ALERTOX-NET é um projeto mais específico, que financia investigação e transferência de tecnologia na área das toxinas emergentes, visando desenvolver novas técnicas de detecção e quantificação das mesmas e, por isso, complementará o EMERTOX", relatou Vitor Vasconcelos.