PM chinês nega que Pequim peça às empresas para cooperarem com espionagem

PM chinês nega que Pequim peça às empresas para cooperarem com espionagem
Lusa

O primeiro-ministro da China negou hoje que Pequim peça às empresas de tecnologia que cooperem com a espionagem do país, e prometeu tratamento igual para firmas estrangeiras e domésticas, numa altura de disputas comerciais com Washington.

"Não é esse o comportamento da China", afirmou Li Keqiang, quando questionado se Pequim pede às empresas do país para espionarem países estrangeiros.

"Nós não fazemos isso e não o faremos no futuro", garantiu.

Washington considera que a Huawei representa riscos em termos de segurança, estando por lei sujeita a cooperar com o Estado chinês.

Os EUA têm pressionado vários países, incluindo Portugal, a excluírem a gigante chinesa das telecomunicações Huawei na construção de infraestruturas para redes de Quinta Geração (5G), a Internet do futuro, acusando a empresa de estar sujeita a cooperar com os serviços de inteligência chineses.

Austrália, Nova Zelândia e Japão aderiram já aos apelos de Washington e restringiram a participação da Huawei.

Pequim enfrenta ainda crescentes fricções comerciais com os Estados Unidos, que criticam frequentemente a China por transferência forçada de tecnologia, atribuição de subsídios a empresas domésticas e obstáculos regulatórios que protegem os grupos chineses da competição externa.

As políticas industriais chinesas, vistas como "predatórias", suscitaram já uma guerra comercial com os EUA, com Donald Trump a impor taxas alfandegárias sobre 250.000 milhões de dólares de bens importados da China.

Li Keqiang prometeu criar um "campo de atuação nivelado" para todos os competidores na economia chinesa, que é ainda dominada pelo Estado, e prometeu abrir mais indústrias ao investimento estrangeiro, mas sem avançar detalhes.

"Vamos aderir ao princípio da neutralidade e tratar as empresas nacionais e estrangeiras como iguais", disse o primeiro-ministro.

O órgão máximo legislativo da China proibiu hoje por lei que entidades governamentais forcem empresas estrangeiras a transferirem tecnologia, em troca de acesso ao mercado doméstico, uma questão-chave nas disputas comerciais com os Estados Unidos.

A norma, que entra em vigor em 1º de janeiro de 2020, estabelece ainda uma "lista negativa", o que significa que quaisquer setores que não sejam declarados fechados ao capital estrangeiro estão automaticamente abertos ao investimento.

"Esta lei foi feita para proteger os direitos e interesses dos investidores estrangeiros e atrair mais investimento estrangeiro", disse Li Keqiang.

Pequim e Washington acordaram um período de 90 dias, que terminou em 1 de março, para chegar a um acordo que ponha fim à guerra comercial. Aquela data foi, entretanto, prolongada.