Partido Popular decide no sábado em congresso quem vai liderar a direita espanhola
Um congresso extraordinário do Partido Popular (PP) espanhol vai decidir no sábado em Madrid quem irá substituir Mariano Rajoy na presidência desta força política, havendo dois candidatos à liderança da direita espanhola.
Termina hoje a campanha eleitoral interna que opôs Soraya Sáenz de Santamaría e Pablo Casado e no sábado às 13:00 (12:00 em Lisboa) deverá ser conhecida a decisão dos 3.000 delegados ao congresso, que começa na sexta-feira ao fim da tarde com um discurso do ainda presidente, Mariano Rajoy.
Os dois candidatos ao lugar tentaram convencer nos últimos dias os delegados sobre as virtudes das suas candidaturas, depois de os militantes os terem escolhido, em eleições primárias realizadas a 05 de julho último, entre seis pré-candidatos.
A mais votada nas primárias, Soraya Sáenz de Santamaría, com 47 anos e até 01 de junho último vice-primeira-ministra do Governo de Mariano Rajoy, insistiu ao longo de toda a campanha na necessidade de "integrar" o outro candidato numa lista única ao congresso que seria liderada por ela.
Por seu lado, Pablo Casado, com 37 anos e vice-secretário do PP, recusa que essa "integração" e avança que a "unidade" do partido deve ser mantida, mas apenas depois da escolha que os delegados vão fazer no sábado.
O PP tem atualmente uma maioria relativa dos membros do Congresso dos Deputados (parlamento) e a maioria absoluta no Senado (câmara alta).
Mariano Rajoy foi primeiro-ministro de Espanha desde 2011 até ser afastado em 01 de junho último por uma moção de censura apresentada pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) com o apoio do Unidos Podemos (extrema-esquerda) e de outros partidos mais pequenos, como os nacionalistas bascos e os independentistas catalães.
O ainda líder, que vai ser substituído no sábado, anunciou poucos dias depois de deixar o cargo de chefe do Governo que se retirava da vida política ativa, sem indicar, ao contrário do que era habitual, um sucessor para dirigir o partido.
Rajoy, que liderou o PP durante 15 anos, também renunciou ao lugar de deputado, ao qual poderia ter regressado, e apresentou-se ao trabalho no seu antigo posto de funcionário público na conservatória de registo civil de Santa Pola (Alicante).
O futuro líder do PP, e candidato a primeiro-ministro nas eleições gerais que deverão realizar-se em 2020, terá de renovar e modernizar um partido que nos últimos anos perdeu uma parte importante do seu eleitorado devido a uma série de casos de corrupção que envolveu alguns dos seus dirigentes.
PP e PSOE têm-se alternado na condução do Governo espanhol desde a transição do país para um sistema democrático iniciada em 1975 com a morte do ditador Francisco Franco, mas a crise económica levou ao aparecimento do Podemos (extrema-esquerda) e Cidadãos (direita liberal) que parecem ter acabado com o sistema bipartidário tradicional.
O Cidadãos é o único partido que defende a realização de eleições antecipadas, depois de uma série de sondagens que indicam que pode aspirar a ser o partido mais votado e ultrapassar mesmo o PP que até agora tem sido o principal partido da direita espanhola.
