Partido de Bouteflika cerra fileiras sobre saída da crise na Argélia

Partido de Bouteflika cerra fileiras sobre saída da crise na Argélia
Lusa

O partido do presidente Abdelaziz Bouteflika, que já mostrou divisões em relação ao modo de saída da crise na Argélia, cerrou fileiras na segunda-feira à noite, considerando que a proposta do chefe de Estado é "a melhor".

"O roteiro (proposto pelo chefe de Estado) é a melhor solução neste momento", declarou Hocine Khaldoun, porta-voz da Frente de Libertação Nacional (FLN), no final de uma reunião da direção do partido, citado pela agência oficial APS.

Face a uma contestação inédita em 20 anos de poder, o presidente Bouteflika renunciou a disputar um 5.º mandato a 18 de abril e adiou as presidenciais até que se realize uma "Conferência Nacional", que deverá elaborar uma nova Constituição.

A oposição, a sociedade civil e a rua rejeitaram o plano, argumentando que ele permite que o chefe de Estado -- 82 anos e debilitado por um AVC em 2013 -- se mantenha no poder sem eleições, além do final constitucional do seu mandato a 28 de abril.

Khaldoun apelou "ao conjunto das forças políticas para aderirem" ao que foi proposto por Bouteflika e rejeitou as soluções que criam "casos de vagas no seio das instituições", suscetíveis de "levarem à anarquia".

Vários partidos da oposição propuseram recentemente uma saída para a crise política sem Bouteflika através de uma transição de seis meses que se iniciariam a partir da expiração do atual mandato do presidente, cujos poderes seriam confiados a uma "instância presidencial" colegial, encarregada de organizar um escrutínio "livre e transparente".

No domingo, Hocine Khaldoun considerou publicamente que a "Conferência Nacional" era "inútil" e "unanimemente rejeitada" e propôs a constituição de um governo de união nacional para organizar eleições o mais rapidamente possível.

Foi chamado à atenção pela direção da FLN, expondo os desacordos no campo presidencial sobre o caminho a seguir face aos protestos.

Desde finais de fevereiro que a Argélia tem sido palco de várias manifestações, inicialmente convocadas contra a candidatura a um quinto mandato de Bouteflika, e a mobilização não parece abrandar.

Segundo a AFP, todos os manifestantes interrogados na última sexta-feira, o dia dos maiores cortejos de protesto, garantiam estar prontos para marcharem o tempo "que for preciso" para que Bouteflika e os que o acompanham no poder se vão embora.