ONG Save the Children pede à Igreja protocolos de prevenção a abusos

ONG Save the Children pede à Igreja protocolos de prevenção a abusos
Lusa

A organização não governamental Save the Children pediu hoje à igreja católica que aproveite a cimeira sobre abusos infantis para adotar protocolos de prevenção e aumentar a transparência para que as igrejas sejam espaços seguros para as crianças.

Em comunicado, a Save the Children pede à Igreja para adotar o firme compromisso de lutar contra os abusos com protocolos de prevenção "claros e concretos" e formação e que denuncie casos de abuso às pelas autoridades competentes.

O apelo da organização surge no dia em que começa no Vaticano uma cimeira sobre a proteção da criança e os abusos sexuais por parte do clero na qual participam os presidentes da Conferências Episcopais em Roma.

Segundo dados da Save the Children, entre 10 e 20% da população sofreu abusos sexuais na infância.

Em 2017 foram apresentadas 4.211 denúncias de abusos sexuais contra menos em Espanha, uma violência que acontece em casa, na escola, no desporto e dentro da Igreja.

Na abertura da cimeira, que decorre até domingo, o papa pediu "medidas concretas e efetivas" para erradicar os abusos sexuais por parte do clero, considerando que não basta condenar esses crimes.

"O povo de Deus está a ver-nos e espera que nós não só condenemos, mas que tomemos medidas concretas e efetivas", afirmou o papa Francisco perante 190 representantes da hierarquia religiosa, reunidos numa cimeira sem precedentes na história da igreja para abordar os abusos sexuais cometidos por membros do clero.

O papa argentino vai tentar convencer, nos próximos dias, os presidentes das Conferências Episcopais da Igreja Católica no mundo da sua responsabilidade individual face às agressões sexuais a menores.

Ouvir as vítimas, aumentar a consciência, aumentar o conhecimento, desenvolver novos procedimentos, e partilhar boas práticas são alguns dos objetivos do encontro.

O encontro sobre a "Proteção dos menores na Igreja" focará três temas principais: responsabilidade, assunção de responsabilidades e transparência.

Na preparação deste encontro a comissão organizadora da cimeira pediu aos presidentes das conferências episcopais para ouvir as vítimas nos seus países.

A Conferência Episcopal Portuguesa, que estará representada pelo cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, disse a 12 de fevereiro que os casos de abusos sexuais por parte de clérigos são reduzidos em Portugal.

Confrontado com denúncias relatadas pela comunicação social, o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) salientou que "os casos tratados nos tribunais eclesiásticos onde chegam as denúncias são pouquíssimos e, desses, mais de metade da investigação prévia parou por falta de fundamento".