Exército egípcio anuncia morte de 38 'jihadistas' e 526 detenções em operação no Sinai

Exército egípcio anuncia morte de 38 'jihadistas' e 526 detenções em operação no Sinai
Lusa

O exército egípcio anunciou hoje, em comunicado, a morte de 38 'jihadistas' e a prisão de 526 suspeitos após quatro dias de uma vasta operação "antiterrorista" no norte e centro da península do Sinai.

O exército desencadeou na sexta-feira uma campanha militar de grande amplitude no Sinai (nordeste), Delta do Nilo e deserto ocidental junto à fronteira com a Líbia.

Desde a destituição pelo exército do presidente islamita Mohamed Morsi em 2013, que as forças de segurança enfrentam diversos grupos radicais, incluindo o grupo 'jihadista' Estado Islâmico (EI), que provocaram centenas de mortos entre os soldados, forças policiais e civis.

Um 'raide' e uma troca de tiros em Al-Arich, a principal cidade do norte do Sinai, implicou a "eliminação de uma célula terrorista muito perigosa integrada por dez takfiristas", anunciou hoje o porta-voz das Forças armadas, Tamer el-Refaï.

Este anúncio elevou para 38 o balanço de 'jihadistas' mortos desde o início desta campanha batizada "Sinai 2018".

Segundo os comunicados divulgados pelos militares desde o início da operação, foram ainda detidos um total de 526 suspeitos.

No final de novembro, o chefe de Estado Abdel Fattah al-Sissi, que dirige o país com mão de ferro e o único candidato de facto à eleição presidencial de 26 de março, tinha dado três meses ao seu chefe de estado-maior e ao seu ministro do Interior para restabelecerem a segurança e a estabilidade no Sinai.

Também hoje, o conselheiro de um ex-candidato à eleição presidencial egípcia excluído pelas autoridades foi detido após ter sugerido a existência de documentos secretos comprometedores para os atuais dirigentes do país, revelou o seu advogado.

Hicham Geneina foi o conselheiro para os direitos humanos do general Sami Anan, antigo chefe de estado-maior do exército egípcio, também detido e excluído em janeiro da corrida à presidência após ser acusado pelas autoridades de "não ter respeitado os procedimentos" e de provocar a "divisão".

Neste contexto, um grupo de 14 Organizações Não-Governamentais (ONG) internacionais afirmou hoje que as presidenciais não são livres nem justas, mas constituem antes "uma farsa no meio de uma onda de repressão dos direitos humanos".

"Os aliados do Egito devem agora falar publicamente para denunciar estas eleições, que são uma farsa, em vez de continuar o apoio inquestionável a um Governo que preside à pior crise de direitos humanos do país em décadas", referem as ONG em comunicado.