Eurodeputados apoiam decisão do Peru e Grupo de Lima sobre Maduro

Eurodeputados apoiam decisão do Peru e Grupo de Lima sobre Maduro
Lusa

Uma delegação da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu apoiou na quinta-feira a decisão do Peru e do Grupo de Lima que rejeitou a presença do Presidente da Venezuela na próxima Cimeira das Américas.

"Apoiámos e apoiamos, é claro, a decisão tomada pelo Grupo de Lima em relação ao sr. Nicolás Maduro [presidente da Venezuela]", afirmou numa conferência de imprensa o eurodeputado alemão Bernd Lange, que preside à missão da delegação que está de visita à capital peruana, Lima.

O Grupo de Lima, que integra 14 países americanos, recusou na terça-feira, a pedido do Peru, país anfitrião, a presença do presidente venezuelano na VIII Cimeira das Américas, que se realiza a 13 e 14 de abril.

Na quinta-feira, Nicolás Maduro reiterou que vai participar na cimeira, que vai decorrer em Lima, apesar de o Governo do Peru ter anunciado que "não será bem-vindo".

"Não me querem ver em Lima, mas vão ter de me ver, porque chova, troveje ou faça sol, por mar, terra ou ar, lá estarei", disse Maduro.

Ainda na quinta-feira, o Governo peruano avisou o Presidente da Venezuela de que não poderá entrar nem sobrevoar o espaço aéreo do país para assistir à Cimeira das Américas.

"Não pode entrar nem pela terra nem pelo céu. Não pode entrar porque não é bem-vindo", disse a primeira-ministra peruana, Mercedez Aráoz, à emissora Radio Programas del Peru.

O eurodeputado alemão lembrou na conferência de imprensa que a União Europeia pediu "mais sanções" contra o presidente venezuelano.

"Quero deixar muito claro aquilo em que acreditamos, adotámos na quinta-feira passada uma resolução no Parlamento Europeu que deixa claro que a Venezuela não está no caminho de um processo democrático e que as eleições não vão ser democráticas", declarou Bernd Lange, referindo-se às eleições presidenciais venezuelanas convocadas para 22 de abril.

O eurodeputado referiu que, por esse motivo, o Parlamento Europeu pediu "mais sanções" para o Governo de Maduro, "precisamente para que os venezuelanos possam alcançar uma verdadeira democracia".

"Outra questão que me parece muito importante é a dos refugiados, todos os venezuelanos que acabam no Peru ou na Colômbia. Acreditamos que têm de receber, também, mais apoio da União Europeia", defendeu.

O Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, no cargo desde 2013, é acusado de uma deriva autoritária que tem levado a uma tensão crescente nas relações do país com boa parte da comunidade internacional.