EUA "seriamente preocupados" com uso de força pelo Governo do Zimbabué

EUA "seriamente preocupados" com uso de força pelo Governo do Zimbabué
Lusa

O porta-voz adjunto do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, Robert Palladino, afirmou hoje que o país está "seriamente preocupado" com o uso excessivo de força pelo Governo do Zimbabué no último mês.

"O uso de violência contra a sociedade civil e a imposição injustificada de restrições no acesso à internet pelo Governo do Zimbabué atraiçoam as promessas de criar um novo Zimbabué", lê-se no comunicado assinado por Palladino.

O responsável norte-americano assinala que foram registadas "pelo menos 13 mortes, 600 vítimas de violência, tortura ou violações e mais de mil detenções" desde o início de uma onda de protestos motiva dada pelo aumento dos preços dos combustíveis no Zimbabué, em 14 de janeiro.

"Os Estados Unidos apelam a todos os envolvidos para que se reúnam imediatamente num diálogo nacional" acrescentou Palladino, que considera que este processo deve ser "credível, inclusivo, e mediado por uma terceira parte isenta.

Segundo o comunicado emitido pelo Departamento de Estado dos EUA, o Governo do Presidente zimbabueano, Emmerson Mnangagwa, deve terminar "a sua violência excessiva e intimidação, libertar os ativistas da sociedade civil que foram arbitrariamente detidos, e responsabilizar os membros das forças de segurança responsáveis pelas abusos e violações de direitos humanos", assim como pelo cumprimento das prometidas reformas políticas e económicas.

Em 12 de janeiro, Emmerson Mnangagwa anunciou a multiplicação dos preços da gasolina em 2,5 vezes, na esperança de reduzir o consumo e o "mercado negro" relacionado com a desvalorização da moeda.

O anúncio de Mnangagwa colocou o Zimbabué como o país com os combustíveis mais caros no mundo, de acordo com o portal GlobalPetrolPrices.

Durante os protestos, o acesso a plataformas sociais como Facebook, Twitter e WhatsApp foi limitado, empresas e escolas encerradas e transportes públicos suspensos, apesar de o Governo afirmar que a segurança estava garantida.

Emmerson Mnangagwa, de 76 anos, assumiu a liderança do Zimbabué no final de 2017, sucedendo a Robert Mugabe, que esteve à frente do país durante 37 anos.

Nos últimos 20 anos, a economia do Zimbabué não parou de encolher, estrangulada financeiramente pela falta de liquidez e pela inflação galopante.