Estudo antropológico sobre "Nicolinas" quer "abrir caminho" para candidatura à UNESCO

Estudo antropológico sobre "Nicolinas" quer "abrir caminho" para candidatura à UNESCO
Lusa

O estudo antropológico sobre as Festas Nicolinas, originais de Guimarães, pretende "abrir caminho" à discussão sobre a candidatura a património cultural imaterial daquelas festividades, e será apresentado a 13 e 14 de dezembro, anunciou hoje o município.

Em conferência de imprensa, a autarquia adiantou que o trabalho, a cargo de Jean-Yves Durand, vai ser apresentado nas jornadas "Em Concreto (2) - Património Cultural Imaterial no Terreno Expetativas, Experiências e Perspetivas".

"Não estamos satisfeitos só porque somos Património da Humanidade. Guimarães continua a avançar e tem já definida a candidatura do alargamento da Zona de Couros, porque o território é constituído pela parte urbana, mas também pelas pessoas e pelo património imaterial", salientou a vice-presidente da Câmara de Guimarães, Adelina Pinto.

"Queremos valorizar o nosso Património Imaterial através da identidade e tradições, cimentando um trabalho que já tem alguns anos, fruto da investigação efetuada, abrindo à discussão à comunidade em geral, através do 'know-how' e do desenvolvimento de políticas públicas na promoção do nosso Património", explanou a responsável, explicando assim a possível candidatura à UNESCO.

As Festas Nicolinas têm a sua origem na devoção religiosa dedicada a São Nicolau que era oriundo da Ásia Menor e terá vivido nos séculos III e IV. São Nicolau, entre outras atenções, é patrono dos estudantes e, reza a lenda, que três crianças em idade escolar, esquartejadas por um estalajadeiro, tiveram a vida devolvida quando São Nicolau se aproximou delas.

As celebrações em honra de São Nicolau, em Guimarães, inicialmente, eram de cariz exclusivamente religioso. No entanto, com o passar do tempo vão sendo incluídas nessas celebrações manifestações de caráter profano, tais como cantares e danças.

Este culto, desenvolvido entre o povo, foi mais tarde apropriado pelos estudantes que constituíram uma capela em honra de São Nicolau (entre 1661 e 1663) na Igreja Nossa Senhora da Oliveira, e aí sediaram a sua irmandade.

Durante os dias que duram as festas são desenvolvidas várias atividades, os números nicolinos: as Novenas, as Ceias Nicolinas, o Pinheiro, as Posses, o Magusto, as Roubalheiras, o Pregão, as Maçazinhas, as Danças de S. Nicolau e o Baile Nicolino

A Conferência "Em Concreto [2]", organizada pela Câmara de Guimarães, A Oficina e o Centro em Rede de Investigação em Antropologia - Universidade do Minho, em colaboração com o Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md), tem como objetivo" juntar funcionários de instituições culturais, decisores políticos, investigadores, participantes em iniciativas patrimoniais locais, e propor um esforço de reflexão e criatividade aplicadas a uma intervenção etnográfica centrada nas dinâmicas sociais e culturais contemporâneas".