Educação é "a fórmula mágica" para a igualdade entre mulheres e homens

Educação é "a fórmula mágica" para a igualdade entre mulheres e homens
Lusa

A educação é "a fórmula mágica" para atingir a igualdade entre mulheres e homens foi a principal conclusão do debate internacional com que a Fundação Francisco Manuel dos Santos assinalou os seus dez anos, hoje, em Lisboa.

Moderado pela jornalista libanesa Ghida Fakry, o debate juntou Samantha Power, antiga embaixadora dos Estados Unidos junto das Nações Unidas, e Freida Pinto, atriz e ativista indiana, para analisar a situação das mulheres no mundo.

Quanto mais educadas, mais determinadas serão as meninas e as mulheres em "escrever as suas próprias histórias, para ampliar a narrativa", defendeu Freida Pinto, que relatou a sua própria experiência em Hollywood, uma viagem do "conto de fadas" ao "pesadelo total".

Depois do sucesso de bilheteira "Quem quer ser bilionário?", Freida Pinto passou dois anos e meio no desemprego, proscrita por não aceitar os papéis estereotipados que uma Hollywood dominada por homens lhe oferecia.

Da "vulnerabilidade" fez força e criou Girl Rising, que "começou como um documentário e agora é um movimento revolucionário", descreveu.

Recusando a ideia de que a igualdade de género é um "problema suave", Samantha Power partilhou a experiência de trabalhar nas Nações Unidas, "uma das organizações mais dominadas por homens". E criticou o facto de a pergunta sobre "a competência" só ser posta em relação às mulheres.

Durante a sua intervenção inicial no debate, que esgotou a lotação da Aula Magna da Universidade de Lisboa, mostrou fotografias de quando era a única mulher, e também imigrante (irlandesa), no Conselho de Segurança, representando uma das principais potências mundiais.

Ainda assim, nesse mesmo período, em que o Presidente Barack Obama estava ao comando da Casa Branca e designou o mais elevado número de mulheres para altos cargos, "os homens ocupavam dois terços das posições" oficiais nos Estados Unidos -- e Samantha Power também recordou fotos de Obama rodeado exclusivamente por homens. "Nunca devia ser normal um desequilíbrio de género desses", sustentou.

"Não é só sobre o número de mulheres em funções", mas "o que vemos interessa", vincou, elogiando que "nunca houve tantas candidatas democratas às primárias" nos Estados Unidos.

"Uma coisa boa sobre Donald Trump -- e não vou usar esta frase muitas vezes -- é (...) ter incitado as pessoas que viviam nos bastidores (...) a fazerem parte da mudança", destacou Samantha Power, que trabalhou oito anos com Barack Obama.

Mesmo quando António Guterres foi eleito secretário geral das Nações Unidas, quando se pensava que, dessa vez, uma mulher seria escolhida, "o número de mulheres que concorreu duplicou", assinalou.

"Vamos ver se Guterres cumpre a promessa de ser o secretário-geral mais feminista de sempre", disse a embaixadora, que assumiu a dificuldade de conciliar as funções que desempenhou nas Nações Unidas com dois filhos pequenos.

Sobre o que se pode fazer na prática, Samantha Power salientou a importância de as mulheres se organizarem, mesmo quando têm profissões de elevada responsabilidade. E deu como exemplo a campanha que organizou contra a detenção de 20 mulheres ativistas (#freethe20), que já resultou na libertação de 16.

Momentos antes, a partir da plateia, tinha sido lançado um apelo à greve feminista que está a ser planeada para 8 de março.

O tema "As mulheres em Portugal, hoje", que foi objeto de um estudo encomendado à consultora PRM, inaugurou o ciclo "Ao encontro dos portugueses", organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.