Defensoria Pública do Rio de Janeiro vê indícios de fuzilamento em ação policial que matou 14 pessoas

Defensoria Pública do Rio de Janeiro vê indícios de fuzilamento em ação policial que matou 14 pessoas
Lusa

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro disse hoje que existem "fortes indícios de fuzilamento" na operação policial que resultou em 14 mortes, na passada sexta-feira, em várias favelas.

"É importante esclarecer as circunstâncias em que eles foram mortos. Há quem diga, sobretudo, entre os polícias militares, que a operação foi um sucesso por terem sido mortos bandidos. Entretanto, há fortes indícios de fuzilamento", declarou Pedro Daniel Strozenberg, ouvidor-geral da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, à plataforma de notícias UOL.

Strozenberg frisou ainda que para garantir uma maior transparência no apuramento dos factos, irá solicitar o documento relativo às autópsias dos corpos em causa: "Assim poderemos saber ao certo o número de tiros que atingiram cada um dos mortos e a trajetória das balas", acrescentou.

A plataforma de notícias UOL diz ainda que há depoimentos contraditórios acerca do confronto entre suspeitos de pertencerem a grupos criminosos e agentes policiais da passada sexta-feira.

Enquantos que as forças da autoridade afirmam que existiu uma troca de tiros com os suspeitos, moradores das três comunidades localizadas no bairro turístico de Santa Teresa, onde decorreu o confronto, dizem que os polícias surpreenderam o grupo com tiros.

A operação contou com agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), agentes do Comando de Operações Especiais (COE), e do Batalhão de Choque, que executavam uma operação de combate ao tráfico de droga, no centro do Rio de Janeiro.

Na sua conta do Twitter, a Polícia Militar relatou que apreendeu três fuzis, outras 12 armas de fogo e seis granadas durante a operação levada a cabo nas comunidades do Fallet, Fogueteiro e Coroa, localizadas no bairro de Santa Teresa.

A guerra entre grupos criminosos rivais e milícias, além da violência policial, fizeram o Rio de Janeiro entrar numa grave crise de segurança pública que só em 2017 provocou 6.731 mortos, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP).

Segundo dados do ISP, a polícia do Rio de Janeiro matou 1.444 pessoas entre janeiro e novembro de 2018 - dos 5.144 casos registados em todo o Brasil --, o que supõe o maior número de mortes cometidas por agentes desde pelo menos 1988.