Conservadores da Irlanda do Norte ameaçam retirar apoio a Theresa May

Conservadores da Irlanda do Norte ameaçam retirar apoio a Theresa May
Lusa

O partido ultraconservador da Irlanda do Norte DUP ameaçou retirar o apoio à chefe do executivo britânica caso Theresa May venha a aceitar um compromisso com Bruxelas sobre o território.

O pequeno partido unionista recusa que a Irlanda do Norte seja tratada de forma diferente do Reino Unido referindo-se à imposição de eventuais controlos administrativos e fronteiriços da União Europeia sobre as mercadorias entre a Grã-Bretanha e a província.

Michel Barnier, o negociador britânico disse em Bruxelas na quarta-feira que o controlo pode ser uma possibilidade a aplicar sobre a Irlanda do Norte, mas o DUP considera a posição inaceitável.

A solução europeia prevê também a manutenção da Irlanda do Norte na união aduaneira para evitar a instalação de uma fronteira física com a República da Irlanda fazendo com que a província britânica continue alinhada sob as regras do mercado único europeu.

"Nós não apoiamos um acordo que inclua compromissos nefastos dos pontos de vista económico e constitucional", disse o porta-voz do DUP para as questões do Brexit, Sammy Wilson.

Se a chefe do executivo aceitar as "exigências draconianas da União Europeia" vai ficar exposta a uma "minora parlamentar" ameaçou o mesmo responsável em declarações publicadas hoje no jornal The Telegraph.

"A primeira-ministra não vai ter o apoio do DUP, mesmo se o governo tentar corromper-nos ou intimidar-nos", disse ainda Sammy Wilson.

"Não podem existir barreiras comerciais no seio do mercado interno britânico que podem minar a economia da Irlanda do Norte", afirmou na terça-feira a presidente do DUP, Arlene Foster, após um encontro com Michel Barnier.

A maioria absoluta do governo conservador de Theresa May no Parlamento depende dos 10 deputados do DUP.

Se os deputados votarem contra o Orçamento do Estado que vai ser apresentado no dia 29 de outubro podem provocar a apresentação de uma moção de censura e a marcação de eleições antecipadas no Reino Unido.

Theresa May já disse que não vai aceitar qualquer acordo que venha a implementar uma "fronteira no Mar da Irlanda" mas o executivo está disposto a estabelecer compromissos com Bruxelas para fazer avançar as negociações.