Confrontos durante campanha eleitoral no Senegal matam pelo menos duas pessoas

Confrontos durante campanha eleitoral no Senegal matam pelo menos duas pessoas
Lusa

Pelo menos duas pessoas morreram em confrontos no Senegal entre militantes da coligação do Presidente, Macky Sall, e membros do Partido pela Unidade e Congregação (PUR), de Issa Sall, segundo os media locais.

Os confrontos ocorreram na segunda-feira, na cidade de Tabacounda, a maior do leste do Senegal, no seguimento de iniciativas inseridas na campanha eleitoral que antecede as eleições de dia 24.

De acordo com o diário senegalês Le Soleil, os dois grupos ter-se-ão enfrentado após uma placa de Macky Sall ter sido marcada com o acrónimo PUR.

O jornal refere que, além dos dois mortos, os confrontos provocaram ferimentos em quinze pessoas.

Os media locais noticiaram uma terceira morte, de um jovem de 22 anos, que "não resistiu aos ferimentos", mas as autoridades de locais afirmaram, à agência Efe, que se tratava de "intoxicação mediática".

"Desde a jornada em Kolda (sul) da sua campanha presidencial, que o candidato do PUR é vítima de sabotagem, o que dificulta o desenrolar das suas atividades", afirmou o partido de Issal Sall, em comunicado.

O PUR lamentou a perda de vidas humanas, exigiu justiça, e suspendeu outras atividades da campanha previstas para Tabacounda.

Por sua vez, o Presidente pediu que se averiguassem os acontecimentos e assinalou que "a campanha eleitoral não deve ser um pretexto para a violência".

As forças de segurança detiveram hoje mais de 20 pessoas e várias armas.

O Tribunal Constitucional do Senegal aprovou cinco candidaturas para as eleições de 24 de fevereiro.

Na busca de um novo mandato, Macky Sall enfrentará o opositor Ousmane Sonko, o ex-primeiro-ministro Idrissa Seck, o advogado Madické Ninag e o líder do Partido pela Unidade e Congregação (PUR), Issa Sall.

Numa lista provisória publicada inicialmente pelo Tribunal Constitucional do Senegal, constavam as candidaturas de duas figuras proeminentes da oposição, o ex-presidente da Câmara de Dacar Khalifa Sall e o ex-ministro Karim Wade, tendo sido ambas excluídas devido a condenações por peculato.

Khalifa Sall foi condenado em 2018 a cinco anos de prisão e multado em cinco milhões de francos CFA (7.625 euros) por falsificação de registos comerciais e documentos administrativos, fraude fiscal e lavagem de dinheiro.

Por sua vez, Karim Wade, filho do ex-Presidente Aboudalaye Wade (2000-2012), foi condenado em 2015 a seis anos de prisão e uma multa de 138.000 milhões de francos CFA (210 milhões de euros).

Em 2016, Karim Wade foi indultado por Macky Sall, embora tivesse mantido a multa e, após a sua libertação, foi para o exílio no Qatar, até que decidiu voltar em 2018 para se apresentar como candidato.

No entanto, de acordo com o código eleitoral senegalês, se uma pessoa for condenada à prisão por cinco anos ou mais não pode votar e, consequentemente, não pode candidatar-se.

O Senegal é caracterizado pela sua estabilidade política e caráter democrático, uma vez que, ao contrário de outros países africanos, nunca sofreu um golpe de Estado ou adiou eleições presidenciais.

Em 2012, pelo menos oito pessoas morreram durante manifestações em defesa da demissão do então Presidente, Abdoulaye Wade, que tentava um terceiro mandato, ultrapassando o limite previsto na Constituição senegalesa.