Cidadãos e organizações timorenses recebem Prémio Sérgio Vieira de Mello

Cidadãos e organizações timorenses recebem Prémio Sérgio Vieira de Mello
Lusa

Três cidadãos e três organizações timorenses, de setores como educação e agricultura, apoio a vítimas de violência sexual e a pessoas com deficiência, foram hoje galardoados em Díli com o Prémio Direitos Humanos Sérgio Vieira de Mello.

"Os prémios que atribuímos hoje refletem o compromisso, criatividade, empenho, dedicação, sacrifício, visão e persistência dos cidadãos em promover, defender e promulgar os Direitos Humanos em Timor-Leste através da sua ação", disse o Presidente timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, na cerimónia de entrega dos galardões.

Entre os galardoados na edição deste ano estão dois professores, entre eles Gracinda Assunção que "usou a sua experiência, deixando Díli e regressando a Tutuala [na ponta leste de Timor-Leste], com o compromisso de contribuir para a formação das crianças desde a idade pré-escolar".

"Com a sua criatividade, dedicação e persistência, Gracinda fez com que muitas crianças de tenra idade frequentassem a escola onde hoje aprendem e brincam em vez de acompanharam os pais nos trabalhos agrícolas", disse Lu-Olo.

Mateus Xavier, professor na pequena localidade de Nedere - na região de Uatolari, Viqueque, no sul do país - "tinha que andar quatro horas a pé para dar aulas às crianças da aldeia isolada onde anteriormente não existia uma escola".

"De forma voluntária, movido pela sua teimosia, esperança e persistência, conseguiu, com o apoio da comunidade, construir uma escola na aldeia de Nedere e ser reconhecido como professor contratado. Mas o mais importante é que conseguiu assegurar a aprendizagem das crianças", frisou o chefe de Estado.

O terceiro galardoado foi Eugénio Lemos, reconhecido por ter "introduzido o conceito de permacultura em Timor-Leste através da criação da organização Permacultura Timor-Leste (PERMATIL)".

A sua "experiência, dedicação e trabalho conjunto com as comunidades" permitiram recuperar 20 fontes de água em todo o país, que as comunidades da zona "podem hoje aproveitar e desenvolver o seu meio ambiente".

"Juntamente com os seus colegas, Ego Lemos construiu cento e cinquenta (150) hortas escolares em todo o território que asseguram hoje a merenda de algumas escolas do país", disse.

Ainda no setor agrícola, Lu-Olo reconheceu a União Nacional dos Agricultores de Ermera (UNAER), integrada por quase 24.400 chefes de família que entre 2003 e 2006 "ajudou os agricultores a identificar formas de unificar os agricultores do município de Ermera".

A organização trabalha para "restaurar a confiança dos agricultores e fortalecer os direitos dos trabalhadores para que contribuam para a prática da agricultura sustentável através de sistemas agroflorestais".

Quer ainda ajudar a promover o comércio justo junto dos consumidores de café no Japão, construir uma escola para os organizadores das comunidades e um jardim-de-infância, e promover o "tarabandu".

A cerimónia Tara Bandu (Pendurar e Proibir) é usada para 'proibir', por exemplo, deitar lixo num certo local ou abater árvores.

Na edição deste ano foi ainda reconhecida a Fundação Fórum Comunicação Oratório Dom Bosco, em Díli, que trabalha na proteção de vítimas de violência doméstica e sexual, contribuindo "para a defesa e promoção dos direitos dos cidadãos e para a restauração da dignidade das vítimas".

Entre as suas ações, a fundação apoia a comunidade que vive do lixo na lixeira de Tibar, nos arredores de Díli.

Finalmente, foi ainda reconhecida a Fundação AHISAUN que luta pelos direitos das pessoas com deficiência que, frequentemente, são vítimas de discriminação.

"A ação da Fundação AHISAUN contribui para a eliminação da discriminação de grupos vulneráveis e para a construção de uma sociedade inclusiva e solidária", explicou Lu-Olo.

Os prémios, no valor de 10 mil dólares cada, reconhecem cidadãos timorenses e estrangeiros, organizações governamentais e não-governamentais que se destaquem na promoção, defesa e divulgação dos direitos humanos em Timor-Leste.

Foram criados a 18 de março de 2009 pelo então chefe de Estado timorense José Ramos-Horta e visam igualmente assinalar, anualmente, o Dia dos Direitos Humanos.

A iniciativa tem também como objetivo reconhecer o trabalho realizado pelo brasileiro Sérgio Vieira de Mello enquanto chefe da Missão da ONU de Administração Transitória de Timor-Leste, entre novembro de 1999 e maio de 2002.

O diplomata brasileiro morreu a 19 de agosto de 2003, vítima de um atentado no Iraque.