China veio pela crise mas ficou pelas potencialidades de Portugal - associação

China veio pela crise mas ficou pelas potencialidades de Portugal - associação
Lusa

A presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda considera que a crise financeira no início da década propiciou o investimento chinês, mas foram as potencialidades de Portugal que fizeram a relação evoluir para uma parceria económica.

"A aproximação [da China a Portugal] foi muito sentida na crise financeira e a China apostou em Portugal nessa altura, mas não só teve o reconhecimento, como teve também a compreensão deles sobre as potencialidades que Portugal tem", por isso "esta aproximação começou por ser financeira mas passou a ser uma parceria económica e de relacionamento cultural e humano", disse Fernanda Ilhéu em entrevista à Lusa.

"Eles chegaram, viram que havia uma crise financeira, sim, mas havia um potencial de crescimento e podiam fazer algo para [cumprir] esse potencial, e isso é a dimensão, que é coisa que Portugal não tem", vincou a professora universitária no Instituto Superior de Economia e Gestão.

"Se houver uma complementarização das vantagens de Portugal, na Europa e na relação com os países de língua portuguesa, e a China, como enorme país que está a construir, com toda a relação com os países da Associação dos Paises do Sudeste Asiático (ASEAN) e com os países do centro da Europa, dá-nos uma parceria que pode ser muito vantajosa para ambos os países", defendeu a investigadora, especialista em questões asiáticas e que é a presidente da Associação Amigos da Nova Rota da Seda.

Questionada sobre quais as vantagens específicas que a China encontra na aposta em Portugal, um dos países que mais recebe investimento chinês proporcionalmente ao PIB, Fernando Ilhéu respondeu que a longa história e a pequena dimensão de Portugal são fatores importantes.

"Primeiro, o conhecimento histórico, nós não somos desconhecidos, comemoramos 40 anos de relações diplomáticas, mas o relacionamento existe desde o século XVI, temos uma história fantástica de compreensão da China, ainda que com episódios negativos, mas que não foram determinantes, e historicamente isto é muito importante, salientou a professora universitária.

"Depois, nós não somos uma ameaça, não temos uma posição ofensiva em nada, temos um atitude de compreensão, colaboração, obviamente que marcamos a nossa posição, e isso viu-se hoje quando as autoridades disseram que este acordo sobre a cooperação na iniciativa da nova rota da seda é dos primeiros na Europa", vincou Fernanda Ilhéu.

A investigadora salientou que a participação na iniciativa chinesa não significa, no entanto, o abandono dos compromissos internacionais de Portugal, a começar pelas regras de pertença à União Europeia.

"Sempre que temos parcerias geopolíticas, dizemos que estamos na União Europeia, vamos cumprir o que é obrigatório e faz parte da regulamentação a que nos obrigámos, mas isso não impede que tenhamos uma cooperação neste projeto, que é altamente benéfico para Portugal e para a China, não só em desenvolvimento bilateral, mas também em desenvolvimento em países terceiros, em termos de desenvolvimento, não é exportação de carne de porco, que é um negócio bilateral", concluiu.