China conseguiu repatriação de mais de mil suspeitos de corrupção em 2018 -- oficial

China conseguiu repatriação de mais de mil suspeitos de corrupção em 2018 -- oficial
Lusa

A China conseguiu a repatriação de mais de mil suspeitos de corrupção fugidos além-fronteiras e recuperar 519 milhões de dólares (450 milhões de euros) em ganhos ilícitos, no ano passado, parte da mais ampla campanha anticorrupção da história da República Popular.

O órgão máximo anticorrupção do país informou que entre os 1.335 repatriados, 307 eram membros do Partido Comunista Chinês ou funcionários do Governo, e cinco faziam parte de uma lista entregue por Pequim à Interpol.

Entre estes constam Xu Chaofan, ex-gerente de uma sucursal do Banco da China na província de Guangdong, no sul do país, e suspeito de ter desviado 485 milhões de dólares, antes de ter fugido para os Estados Unidos, há 17 anos.

Yao Jinqi, um antigo vice-chefe de condado, foi extraditado a partir da Bulgária, sendo o único fugitivo repatriado desde um país da União Europeia.

Desde que há quatro anos lançou a operação "Skynet", visando suspeitos de corrupção evadidos além-fronteiras, a China conseguiu capturar 5.000 fugitivos.

Trata-se de uma extensão da mais persistente e ampla campanha anticorrupção na história da China comunista, lançada após a ascensão ao poder do Presidente chinês, Xi Jinping, em 2013, e que resultou já na punição de mais de um milhão e meio de membros do PCC.

Além de combater a corrupção, a campanha, que é liderada pelo Partido Comunista, e não pelos órgãos judiciais, tem tido como propósito reforçar o "controlo ideológico" e afastar rivais políticos, com as acusações a altos quadros do regime a incluírem frequentemente "excesso de ambição política" ou "conspiração".

Os alvos incluíram funcionários menores, a que Xi se refere como "moscas", mas também centenas de "tigres" - altos quadros do partido, com a categoria de vice-ministro ou superior.

Os dois casos mais mediáticos envolveram a prisão do antigo chefe da Segurança Zhou Yongkang e do ex-diretor do Comité Central do PCC e adjunto do antigo presidente Hu Jintao, Ling Jihua.

Só no ano passado, 621.000 pessoas foram punidas por corrupção no país, incluindo 51 quadros de nível ministerial ou superior, segundo a Comissão Central de Disciplina e Inspeção do PCC.