Brasil/Eleições: Partido Rede, da candidata Marina Silva, recomenda "nenhum voto" em Bolsonaro

Brasil/Eleições: Partido Rede, da candidata Marina Silva, recomenda "nenhum voto" em Bolsonaro
Lusa

A Rede Sustentabilidade, partido da candidata presidencial Marina Silva, anunciou hoje a recomendação aos filiados de não votarem no candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, na segunda volta das presidenciais brasileiras.

Num comunicado divulgado após uma reunião da Comissão Executiva Nacional, o partido afirmou que frente às "ameaças imediatas e urgentes à democracia", recomenda aos filiados e simpatizantes que não destinem "nenhum voto" a Bolsonaro e que escolham um candidato "de acordo com a sua consciência" e que votem da "forma que considerem melhor para o país", no sufrágio a decorrer a 28 de outubro.

No entanto, o partido Rede teceu também várias críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT), de Fernando Haddad, que irá defrontar Bolsonaro na segunda volta, devido ao seu "projeto de poder" e "corrupção sistemática".

O partido acrescentou ainda que não irá apoiar a candidatura de Haddad e que fará oposição ao futuro Governo, seja qual for o vencedor da eleição.

"Os dois postulantes na segunda volta representam projetos de poder prejudiciais para o país, atrasados do ponto de vista da conceção de desenvolvimento, autoritários em relação ao papel das instituições de Estado, retrógrados quanto à visão do sistema político e questionáveis do ponto de vista ético", afirma o comunicado de imprensa, segundo o site de notícias G1.

No início da campanha presidencial, Marina Silva chegou a aparecer em segundo lugar nas sondagens de intenção de voto, mas foi caindo gradualmente e terminou a primeira volta em oitavo lugar, com pouco mais de 1 milhão de votos. Já na eleição de 2014, Marina Silva alcançou o terceiro lugar, com 22 milhões de votos.

Também outros partidos já se posicionaram no apoio para a segunda volta e a maioria declarou-se neutra.

As formações políticas que anunciaram a decisão de não apoiar qualquer um dos dois candidatos foram o Partido Novo, o Partido da República (PR), o Democratas, o Partido Republicano Brasileiro (PRB), o Partido Popular Socialista (PPS) e o Podemos.

A maioria destes partidos fazia parte da coligação de apoio ao candidato presidencial Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que, na primeira volta do sufrágio, no passado domingo, ficou em quarto lugar, com 4,6% dos votos, apesar de ter contado com o apoio de vários partidos de centro.

A maioria dos partidos que se declarou neutro esclareceu que não apoia as propostas do candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, polémico por ser um defensor da ditadura militar que vigorou no país entre 1964 e 1985 e pelas suas declarações de teor machista, racista e homofóbico.

No entanto, também não expressam apoio ao candidato do Partido dos Trabalhadores, Fernando Haddad, o sucessor do ex-Presidente brasileiro que se encontra preso por corrupção, Luiz Inácio Lula da Silva.

O candidato do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) à presidência Guilherme Boulos acabou por ser uma exceção, tendo usado a rede social Twitter para apoiar Fernando Haddad na segunda volta das presidenciais, na disputa contra Jair Bolsonaro.

O candidato da extrema-direita venceu as eleições presidenciais brasileiras de domingo, com 46,7% dos votos, seguido de Fernando Haddad (PT), com 28,37%, resultado que ditou a necessidade de uma segunda volta entre os dois candidatos, já que nenhum obteve mais de 50%.

A decisão sobre o sucessor de Michel Temer como 38.º Presidente da República Federativa do Brasil ficou adiada para 28 de outubro.