Arcebispo de Malta lembra a bispos o dever de respeitar protocolos e leis civis

Arcebispo de Malta lembra a bispos o dever de respeitar protocolos e leis civis
Lusa

O arcebispo de Malta, escolhido pelo papa para investigar os abusos de crianças por parte do clero, lembrou hoje aos bispos reunidos no Vaticano que têm o dever de respeitar "protocolos exigentes" e "leis civis e nacionais".

Charles Scicluna faz parte da comissão organizadora da cimeira sem precedentes na história da Igreja, que decorre até domingo no Vaticano para abordar a questão dos abusos.

A sua intervenção na cimeira foi uma descrição das normas existentes e como devem ser aplicadas.

Perante os representantes de hierarquia da Igreja Católica presentes, incluindo 114 presidentes ou vice-presidentes de conferências episcopais, o maior especialista do Vaticano na luta contra o abuso infantil lembrou-lhes: "temos o dever e o direito de denunciar".

Charles Scicluna disse ainda aos bispos que os protocolos estabelecidos e a leis civis e nacionais devem ser respeitadas e que "é importante que todas as acusações sejam investigadas e concluídas sem atrasos desnecessários".

Segundo o arcebispo de Malta, todas as queixas "requerem atenção especial" às quais os bispos ou superiores religiosos devem dar atenção e "nunca subestimar as feridas".

O responsável pela investigação dos abusos cometidos por membros do clero no Chile e que levou à renúncia de todos os bispos desse país, disse ainda que os bispos têm o dever de reunir toda a documentação necessária para o processo canónico na Congregação para a Doutrina da Fé.

O arcebispo de Malta também vincou a necessidade de haver controlo na seleção dos bispos considerando que ocultar informação sobre o estilo de vida de um candidato a bispo "é um pecado grave".

Dirigindo-se às vítimas, Charles Scicluna assegurou: "Vamos protegê-los a todo o custo".

Na abertura da cimeira, que decorre até domingo, o papa pediu "medidas concretas e efetivas" para erradicar os abusos sexuais por parte do clero, considerando que não basta condenar esses crimes.

Ouvir as vítimas, aumentar a consciência, aumentar o conhecimento, desenvolver novos procedimentos, e partilhar boas práticas são alguns dos objetivos do encontro que focará três temas principais: responsabilidade, assunção de responsabilidades e transparência.

Na preparação deste encontro a comissão organizadora da cimeira pediu aos presidentes das conferências episcopais para ouvir as vítimas nos seus países.

A Conferência Episcopal Portuguesa, que estará representada pelo cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, disse a 12 de fevereiro que os casos de abusos sexuais por parte de clérigos são reduzidos em Portugal.

Confrontado com denúncias relatadas pela comunicação social, o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) salientou que "os casos tratados nos tribunais eclesiásticos onde chegam as denúncias são pouquíssimos e, desses, mais de metade da investigação prévia parou por falta de fundamento".