Facilitar mais mobilidade é a via direta ao colapso - Câmara de Pontevedra

Facilitar mais mobilidade é a via direta ao colapso - Câmara de Pontevedra
Lusa

O vice-presidente da Câmara de Pontevedra, Cesáreo Mosquera Lorenzo, defendeu hoje, no Porto, que "resolver a mobilidade, facilitando mais mobilidade, é a via direta para o colapso", comparando as cidades a um doente.

"Está a caminhar-se para que o trânsito das cidades seja maior, mas com veículos elétricos ou piloto automático porque há quem os venda. A doença das cidades é como glicose, é absolutamente necessária porque sem ela perdemos a visão, por exemplo. No caso, das cidades, a glicose é o excesso de mobilidade mecanizada e a velocidade", explicou.

Segundo Cesáreo Mosquera Lorenzo, o projeto de mobilidade de Pontevedra, que foi implementado em 1999, começou por estabelecer como princípio basilar a devolução da cidade às pessoas. À data, lembrou, Pontevedra tinha uma densidade de trânsito das mais elevadas da Europa, sendo que num quilómetro e meio circulavam 87 mil carros por dia.

"Cortámos e não se passou nada", sublinhou, lembrando que "em reuniões com 200 pessoas, onde foram discutidas estas medidas, apenas duas se opuseram.

O governante deu como exemplo a Rua de Santa Catarina no Porto, que em grande parte da sua extensão é pedonal, questionando porque se pode tornar pedonal uma rua para servir o comércio e não se pode fazer o mesmo para servir as pessoas.

Um mês depois de tomar posse em julho de 1999, o então presidente da Câmara de Pontevedra, Miguel Anxo Fernández Lores, assinou um decreto para eliminar os 500 lugares de estacionamento que existiam no centro histórico e tornou pedestres 300 mil metros quadrado desse mesmo centro.

Atualmente, e segundo Cesáreo Mosquera Lorenzo, há um rácio de 68 carros por cada 100 pessoas e apenas 20% das deslocações são feitas com recurso ao automóvel.

Foi ainda imposta uma velocidade máxima de circulação de 30 quilómetros, o que resultou numa diminuição da sinistralidade rodoviária. Em dez anos, os acidentes reduziram para metade e há registo de qualquer vítima mortal.

Para o governante, a mobilidade tem que estar subordinada à cidade que queremos, sublinhando que este é um projeto não de décadas, mas um projeto de vida.

Sobre o modelo de Madrid, que lançou a 30 de novembro um plano de restrições ao tráfego no centro da cidade, que proibiu a circulação em determinadas zonas de todos os veículos diesel anteriores a 2006 e a gasolina anteriores a 2000, considerou que não só houve um "excesso" como se poderia ter feito melhor.

O governante falava no Fórum "Os Desafios da AMP para a década 20/30 - Mobilidade e Sustentabilidade Urbana - Duas Experiências de Espanha" que decorreu quinta e sexta-feira, no Centro de Congressos da Alfândega do Porto.