ENTREVISTA: Guiné-Bissau/Eleições: Umaro Djau, o jornalista que deixou a CNN para ser político

ENTREVISTA: Guiné-Bissau/Eleições: Umaro Djau, o jornalista que deixou a CNN para ser político
Lusa

Umaro Djau criou no ano passado o Movimento Guineense para o Desenvolvimento e decidiu candidatar-se às eleições legislativas de 10 de março na Guiné-Bissau, abandonando uma carreira de jornalista na CNN.

Há 23 anos a viver nos Estados Unidos, Umaro Djau regressou à Guiné-Bissau para se "dedicar a política" e está em "processo de desvinculação", por causa das eleições, da cadeia de televisão norte-americana.

Aos eleitores guineenses, Umaro Djau, de 51 anos, está a apresentar um programa que considera "ambicioso" baseado em quatro eixos relacionados com a democracia participativa, estrutural, social e económica.

"Nós vamos fazer a diferença em todas as áreas deste país. Por exemplo, se olharmos para a Guiné-Bissau reparamos que todas as áreas essenciais estão atrasadas. Na educação temos estado a testemunhar greves constantes dos professores, reivindicações dos alunos, quer dizer que a área da educação está completamente ignorada 45 anos depois da independência", afirmou à Lusa Umaro Djau.

Na saúde, segundo o líder do Movimento Guineense para a Mudança, a situação não é muito diferente.

"Á área da saúde é das mais ignoradas entre os países da África Ocidental e também outro aspeto fundamental é a área da justiça, por exemplo, a luta contra a corrupção", disse.

O índice de corrupção da Transparência Internacional relativo a 2018 coloca a Guiné-Bissau entre os países mais corruptos do mundo.

"Vamo-nos esforçar para que de facto o país esteja à altura, criando estruturas, instituições e formando as pessoas para que sejam capazes de lutar contra a corrupção. Vamos fazer a diferença em várias áreas, nomeadamente educação, saúde, infraestruturas e a luta contra a corrupção", afirmou.

Umaro Djau deixou também propostas concretas no que toca à saúde, educação e combate à corrupção, onde propõe concretamente a criação de uma agência especializada de investigação e combate.

Na saúde, pretende apostar na prevenção, formação técnico-profissional e a criar cinco hospitais e uma maternidade nacional.

Em relação à educação, Umaro Djau quer criar um sistema de ensino obrigatório até ao nono ano, liceus setoriais e escolas básicas em tabancas (aldeias) com administração estatal.

Aos guineenses, pediu para participarem nas eleições de 10 de março, porque a "Guiné-Bissau precisa de uma mudança".