Ébola: OMS reitera que RDCongo precisa de 148 milhões de dólares para combater surto

Ébola: OMS reitera que RDCongo precisa de 148 milhões de dólares para combater surto
Lusa

A Organização Mundial de Saúde (OMS) reiterou hoje a "necessidade urgente" de reunir 148 milhões de dólares para o combate ao surto do ébola, que flagela há mais de seis meses o nordeste da República Democrática do Congo.

"Há uma necessidade urgente de que todos os parceiros envolvidos na resposta continuem o seu trabalho. Até agora conseguimos menos de 10 milhões de dólares (8,8 milhões de euros)", anunciou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, num comunicado.

O surto, que afeta as províncias Ituri e Kivu do Norte, no nordeste do país, salda-se até agora por 872 pessoas infetadas (807 confirmadas em laboratório e outras 65 prováveis), tendo 548 casos tido um desfecho fatal (483 das mortes confirmadas), de acordo com os últimos dados do ministério congolês da Saúde.

O pedido de Tedros aos Estados-membros da ONU acontece uma semana antes da sua visita à República Democrática do Congo, onde deverá encontrar-se com o novo Presidente do país, Felix Tshisekedi, antes de viajar para Butembo e Katwa, zonas afetadas pela epidemia.

"A situação não tem precedentes: nunca houve um surto de ébola nestas condições e com tantas brechas no sistema de saúde", afirmou Tedros.

De acordo com números da OMS, que enviou equipas de vacinação para a zona, mais de 80 mil pessoas foram vacinadas e cerca de 400 receberam já tratamento, com outros tantos casos a serem monitorizados em todo o país.

"Temos uma responsabilidade compartilhada de pôr fim a este surto. Agora, precisamos que se juntem a nós no esforço final. O impacto na saúde pública e as ramificações económicas podem estender-se muito para lá de um país ou continente", avisou ainda o responsável da OMS.

A segurança é "outra das principais preocupações" da agência da ONU para a Saúde, uma vez que na região afetada pelo surto atuam mais de uma centena de grupos armados.

O vírus do ébola transmite-se através do contacto direito com o sangue e fluidos corporais contaminados, provoca febre hemorrágica e pode alcançar uma taxa de mortalidade de 90% se não for tratado a tempo.

O surto mais devastador a nível global foi declarado em março de 2014, com casos que remontam a dezembro do ano anterior, na Guiné-Conacri, país de onde se expandiu para a Serra Leoa e Libéria.

Quase dois anos depois, a OMS declarou o fim dessa epidemia, em que morreram 11.300 pessoas e mais de 28.500 foram contagiadas, números que, segundo a agência da ONU, podem ser conservadores.