Ébola: OMS avisa que ataques em zonas de tratamento na RDCongo promovem transmissão

Ébola: OMS avisa que ataques em zonas de tratamento na RDCongo promovem transmissão
Lusa

A Organização Mundial de Saúde (OMS) avisou hoje que o aumento da insegurança em zonas de tratamento do Ébola pode estimular a transmissão do vírus, uma advertência feita após dois ataques a centros na República Democrática do Congo (RDCongo).

Segundo o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, a situação "agravada" na região apresenta "a probabilidade de um aumento dos casos de Ébola. Isso é óbvio".

Christian Lindmeier considerou "deploráveis" os ataques a dois centros de tratamento da organização não-governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras (MSF) na RDCongo no espaço de quatro dias.

Em Genebra, o responsável pela comunicação da OMS sublinhou que a agência das Nações Unidas está a "fazer tudo e a falar com todos" para assegurar que a operação para ultrapassar o atual surto de Ébola na RDCongo, país que enfrenta a sua décima crise com o vírus.

A segurança da OMS e dos seus parceiros - como os MSF - numa região que alberga mais de cem grupos armados tem sido maioritariamente fornecida pelas forças da Missão de Estabilização da Organização das Nações Unidas na RDCongo (MONUSCO).

O porta-voz da OMS referiu que, "à luz dos recentes ataques e do reforço das conversas com as forças da MONUSCO e com as autoridades locais", a agência está a trabalhar para assegurar a proteção de pacientes e funcionários no terreno.

O porta-voz da OMS confirmou o anúncio feito ontem pelo Ministério da Saúde congolês, que apontava para o desaparecimento de quatro pacientes infetados com Ébola durante o ataque de quarta-feira.

Lindmeier assinalou que estes "não abandonaram" o tratamento e que três já regressaram, de forma voluntária. "Eles entendem o quão importante isto é", disse o porta-voz.

Christian Lindmeier referiu que o ataque ao centro de tratamento de Butembo não feriu pessoal da OMS ou dos MSF, mas que provocou a morte de membros das forças de segurança.

Na quinta-feira, os MSF anunciaram a suspensão das suas atividades médicas em duas cidades no epicentro da epidemia no Congo, depois de dois ataques às suas infraestruturas no espaço de quatro dias.

"À luz destes dois violentos incidentes, não temos escolha senão suspender as nossas atividades até novo aviso. Enquanto médicos, é muito doloroso ter de abandonar os pacientes, as suas famílias e outros membros da comunidade num momento tão crítico da resposta ao Ébola", afirmou então o diretor da equipa de emergência dos MSF, Hugues Robert.

Na quarta-feira, vários atacantes de identidades desconhecidas queimaram tendas e outros equipamentos numa unidade de tratamento na cidade de Butembo gerida pelos Médicos Sem Fronteiras.

O ataque foi semelhante ao de domingo, quando um grupo de atacantes não identificados incendiou um centro de tratamento em Katwa, que provocou a morte de uma pessoa e ferimentos noutra.

Segundo o último boletim do Ministério da Saúde da RDCongo, divulgado na quinta-feira, as autoridades registaram 820 casos de contágio confirmados e a morte de 490 pessoas devido ao vírus da febre hemorrágica.

Em 1995, o Ébola provocou a morte a 250 pessoas na cidade de Kikwit, na província de Kwilu, no sudoeste da República Democrática do Congo.

No período de 2014 a 2016, a epidemia do vírus Ébola que afetou a África Ocidental foi considerada pela Organização Mundial de Saúde como a mais complexa desde que o vírus foi descoberto.