Documentário "Os Cantadores de Paris" exibido na capital francesa na sexta-feira

Documentário "Os Cantadores de Paris" exibido na capital francesa na sexta-feira
Lusa

O documentário "Os Cantadores de Paris", do realizador Tiago Pereira, sobre jovens de diferentes nacionalidades que criaram um grupo de cante alentejano, vai ser exibido na capital francesa esta sexta-feira.

O filme vai ser apresentado, pela primeira vez em França, na Maison des Auteurs, em Paris, às 19:00 (menos uma hora em Lisboa), na presença do realizador e de vários participantes do documentário.

"Os Cantadores de Paris" estreou-se em outubro no DocLisboa e começou a ser rodado em fevereiro, com concertos improvisados em locais emblemáticos de Paris e em Serpa.

O filme surgiu na sequência da criação de um grupo de Cante Alentejano com pessoas de várias nacionalidades e apenas duas portuguesas, que aprenderam o repertório através do 'site' do projeto "A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria", fundado por Tiago Pereira.

"O cante alentejano, como todos os cantes folclóricos, acontecem através da transmissão oral. Nós, aqui, estamos a fazer o impossível porque não há ninguém para nos transmitir isso. Esse impossível só acontece graças aos tempos de hoje, ou seja, graças à internet. Vi vídeos na internet da 'Música Portuguesa A Gostar Dela Própria', fui aprendendo essas músicas e fui passando para o grupo", contou à Lusa o diretor artístico do grupo, Carlos Balbino, numa entrevista em maio.

O Rancho de Cantadores de Paris nasceu, em 2016, com a criação de uma peça de teatro, "La Dernière Corrida" ("A Última Tourada"), da companhia Rêves Lucides, na qual Carlos Balbino levava ao palco o cante alentejano e o tema das touradas.

Entretanto, além do grupo, Carlos Balbino criou uma escola de Cante Alentejano que ensaia uma vez por semana, na Maison du Portugal-André de Gouveia, na Cité Universitaire, em Paris.

O cante alentejano, canto coletivo sem recurso a instrumentos, foi classificado há três anos, a 27 de novembro de 2014, como Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela UNESCO, graças a uma candidatura apresentada pela Câmara de Serpa e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.