DGArtes: Teatro do Noroeste congratula-se com apoio e aguarda desfecho com "prudência"
O Teatro do Noroeste -- Centro Dramático de Viana (CDV) congratulou-se hoje com o apoio do Programa de Apoio Sustentado da Direção-Geral das Artes (DGArtes), mas vai aguardar com "prudência" para que "o céu não lhe caia em cima".
"Neste momento, estou um pouco como aos gauleses da aldeia do Astérix. Ainda tenho medo que o céu nos possa cair em cima da cabeça", afirmou o diretor artístico do Teatro do Noroeste-CDV, Ricardo Simões.
O responsável adiantou que o "resultado provisório" do concurso é "positivo" e que, a confirmar-se, será "extremamente relevante" para a companhia, mas preferiu parafrasear São Tomé: "É ver para crer".
"Neste momento, é um pouco a nossa postura. Tal como há cinco anos ninguém se importou que ficássemos sem apoio, também, agora, se alguém quiser deitar abaixo o concurso ninguém se vai importar se nós estamos contemplados ou não. Vamos aguardar, naturalmente, e esperar que seja desta que a companhia vai virar uma das páginas mais difíceis da sua existência", sustentou.
Ricardo Simões, que falava em conferência de imprensa para a apresentação da programação teatral "apenas do mês de abril", referiu que a candidatura apresentada pela companhia para o período 2018 a 2021 prevê um investimento de 375 mil euros, por ano, sendo que a avaliação obtida "foi na ordem dos 76%".
"O que quer dizer, na prática, que o Teatro do Noroeste-CDV está proposto para um apoio de 76% do valor que pediu", disse, adiantando que "para 2018 o apoio proposto pela DGartes, provisório, é de 250 mil euros".
O responsável da companhia salientou que são 125 mil euros a menos do que o que propuseram, pelo que querem "perceber da tutela o que propõem que [se faça]".
"A proposta de decisão é de, em 2018, termos um apoio na ordem dos 250 mil euros e, nos anos, seguintes, de 280 mil euros o que perfaz, um total, de 1.096 mil euros para o conjunto dos quatro anos. É um resultado extraordinário em si mesmo, mas implica grandes alterações ao programa de atividades que nós propusemos e, ressalvo, é um resultado provisório. Até ao lavar dos cestos é vindima", declarou.
"Temos que ser cautelosos e aguardar com o máximo de prudência porque há pessoas a falar em impugnar o concurso, há estruturas de representação do setor a pedir a reavaliação de tudo o que pode, eventualmente, no limite, pôr em causa todo este processo, referiu-
Ricardo Simões garantiu "solidariedade total" com as companhias que ficaram sem apoio e que "irá participar em todas as manifestações que venham a ser realizadas".
"Há cinco anos, quando o Teatro do Noroeste e alguns ilustres desconhecidos ficaram de fora, não deu celeuma, absolutamente, nenhuma. 'Coitadinhos, olha os de Viana ficaram sem subsídio'. Este ano, são alguns pesos mais pesados. Estamos solidários com todos os colegas porque, infelizmente, sabemos muito bem o que isso é e o que pode implicar para as companhias", referiu.
Atualmente a companhia tem, "a tempo inteiro", 11 profissionais. O diretor artístico disse que "um dos objetivos" da candidatura é "garantir melhores condições de trabalho" à equipa.
"Já nem falo em melhores salariais, mas sim em combater a precariedade. Nas artes trabalha-se demasiado a recibos verdes", frisou.
O Governo anunciou o reforço, para 72,5 milhões de euros, do montante disponível até 2021, do Programa de Apoio Sustentado às artes, mais dois milhões de euros por ano, a aplicar nas seis modalidades dos concursos: circo contemporâneo e artes de rua, dança, artes visuais, cruzamentos disciplinares, música e teatro.
Segundo números da DGArtes, este ano, no total das seis modalidades, foram admitidas a concurso 242 das 250 candidaturas apresentadas. Os resultados provisórios apontam para a concessão de apoio a 140 companhias e projetos.
Sem financiamento, de acordo com estes resultados, ficaram companhias como o Teatro Experimental do Porto, o Teatro Experimental de Cascais, as únicas estruturas profissionais de Évora (Centro Dramático de Évora) e de Coimbra (Escola da Noite e O Teatrão), além de projetos como a Orquestra de Câmara Portuguesa, a Bienal de Cerveira e o Chapitô.
Estes dados deram origem a contestação no setor, e levaram o PCP e o Bloco de Esquerda a pedir a audição, com caráter de urgência, do ministro da Cultura e da diretora-geral das Artes, em comissão parlamentar.
