O processo com mais réus da história de Moçambique, 28 arguidos acusados de desviar 170 milhões de meticais (2,3 milhões de euros) do Estado, tem sentença marcada para 20 de dezembro, disse hoje à Lusa fonte ligada ao processo.
A data foi marcada pelo Tribunal de Maputo depois das alegações finais feitas na quinta-feira.
O Ministério Público acusa os arguidos de terem simulado financiamentos a projetos agropecuários forjados para beneficiarem de verbas do Fundo de Desenvolvimento Agrário (FDA).
Entre os 11 advogados de defesa, houve quem sustentasse no julgamento que o caso ficou por provar, enquanto outros sublinharam o facto de os arguidos nunca terem sido condenados por nenhum crime.
O julgamento começou a 12 de setembro e a acusação visou principalmente Setina Titosse, ex-presidente da FDA, entidade tutelada pelo Ministério da Agricultura, acusando-a de ter mobilizado familiares, amigos e terceiros para a abertura de contas bancárias usadas para drenar o dinheiro.
De acordo com o Ministério Público, Titosse pagou bónus equivalentes a salários, a si e aos restantes trabalhadores, em datas festivas, incluindo no dia 04 de outubro, Dia da Paz em Moçambique, com o argumento de que a importância da efeméride merecia que fosse passada com "dignidade".
Ainda segundo a acusação, com o dinheiro do desvio, os arguidos compraram dez imóveis, sete carros e gado e outros receberam recompensas em dinheiro pela participação na fraude.
Entre os arguidos estão antigos gestores da instituição, contabilistas, engenheiros agrónomos, um técnico aduaneiro e empresários.
