Vários milhares de pessoas, incluindo crianças, foram retiradas do norte da Crimeia e quatro foram hospitalizadas após as autoridades silenciarem durante vários dias uma situação de poluição industrial nesta península anexada em 2014 pela Rússia.
Um total de 3.986 habitantes da cidade de Armiansk, extremo norte da Crimeia, foram enviadas para centros médicos na terça e quarta-feira, segundo o ministério da Educação local.
O vice-ministro da Saúde, Valentin Savtchenko, indicou na quarta-feira na televisão que quatro pessoas foram hospitalizadas e 54 receberam cuidados médicos em casa, sem adiantar mais pormenores.
O Presidente ucraniano, Petro Poroshenko, propôs a criação de uma comissão internacional para pôr termo, segundo referiu, a uma "catástrofe ecológica", justificando a poluição com "treinos militares russos que conduziram à destruição dos mecanismos de proteção do ambiente".
Segundo o governador da Crimeia, a poluição atmosférica foi provocada pela fábrica de produtos químicos "Krimski Titan" de Armiansk, e ocorreram na noite de 23 para 24 de agosto.
No dia seguinte, surgiram relatos nas redes sociais sobre irritações nos olhos e ataques de tosse entre a população.
As fotos mostravam veículos e canalizações cobertas por um líquido oleoso.
Fundada em 1971, a fábrica "Krimski Titan" produz essencialmente dióxido de titânio utilizado na indústria química.
Propriedade na década de 2000 do oligarca ucraniano Dmytro Firtach, foi transferida para um grupo russo após a anexação da Crimeia por Moscovo em 2014.
As atividades da fábrica, que emprega 5.000 pessoas, foram suspensas por duas semanas.
