
Alcácer do Sal
AFP
Água recuou durante a madrugada, confirmou a presidente da câmara municipal, Clarisse Campos
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A água que se tem acumulado na baixa de Alcácer do Sal, inundada há vários dias devido ao mau tempo, recuou, cerca de dois metros, durante a madrugada, disse esta sexta-feira a presidente da câmara municipal, Clarisse Campos.
Em declarações à agência Lusa, a autarca deste concelho do distrito de Setúbal, explicou que a chuva tem dado algumas tréguas, nas últimas horas, tendo a zona ribeirinha acordado hoje "com um pouco menos de água".
"Acho que a água desceu quase dois metros aqui em algumas zonas, mas as zonas mais baixas continuam ainda com muita, muita água, principalmente a Avenida dos Aviadores", precisou.
Segundo a autarca, esta "ligeira descida das águas" permite "novamente o contacto com as pessoas que ainda estão em casas na zona da cidade que está inundada" e, com recurso à Marinha e Bombeiros, tentar "perceber como estão hoje e insistir" para saírem das habitações.
Clarisse Campos relatou que as pessoas estão "sem eletricidade, sem conforto" e "estão preocupadas, porque estão isoladas" há muitos dias.
"Vamos agora avaliar se têm condições para continuar nas suas casas", porque, apesar, "da nossa insistência para que saiam", a "última palavra" é dos residentes, afirmou.
À Lusa, a autarca indicou que as pessoas que "vão ficando desalojadas provisoriamente" estão a ser encaminhadas para um espaço da Santa Casa da Misericórdia de Alcácer do Sal.
"No total já retiramos quase 200 pessoas" ao longo dos últimos dias, mas "algumas ficam em casa de particulares" e "muitas em alojamentos locais, residenciais, hotéis", assim como na Santa Casa da Misericórdia.
Questionada sobre a onda de solidariedade que tem chegado até Alcácer do Sal, com a doação de bens e produtos, de concelhos vizinhos e de muitas zonas do país, para fazer face às necessidades, Clarisse Campos disse estar "emocionada e grata".
"Fico completamente emocionada e grata com a solidariedade de todas as pessoas aqui da cidade e ao nível do país. Têm chegado até nós muitos produtos, muitas doações", realçou.
No entanto, a autarca lembrou que a cidade vai precisar de muita ajuda na sua reconstrução.
"Vamos precisar muito, muito da ajuda de todos nessa fase. Agora estamos a precisar, numa fase de emergência, já temos muitas doações de géneros alimentares, de todo o tipo de produtos, mas na fase seguinte vamos precisar de muita ajuda para ajudar as pessoas a reconstruir as suas casas, a equipar as suas casas. Os próprios serviços municipais, muitos deles estão inundados e vamos precisar de um trabalho enorme para reparar estradas [e] passeios", apelou.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.

