
Hillary Clinton
AFP
A antiga secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton afirmou esta quinta-feira perante congressistas que não conhecia o criminoso sexual Jeffrey Epstein nem tinha conhecimento das suas atividades criminosas, no início de sessões que incluirão também o ex-Presidente Bill Clinton
"Não fazia ideia das suas atividades criminosas. Não me lembro de ter encontrado o Sr. Epstein", declarou Hillary Clinton numa nota inicial que divulgou nas redes sociais.
Os testemunhos decorrem à porta fechada em Chappaqua, localidade no estado de Nova Iorque onde os Clinton residem, após meses de trocas de acusações entre o antigo casal presidencial democrata e a Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos.
Será a primeira vez que um ex-Presidente dos Estados Unidos é obrigado a depor perante o Congresso.
Hillary Clinton, também antiga candidata presidencial democrata, é hoje ouvida, enquanto a audição de Bill Clinton está agendada para sexta-feira.
Será a primeira vez que um ex-presidente dos Estados Unidos é obrigado a depor perante o Congresso.
O Presidente Donald Trump manifestou pesar pelo facto de os Clinton serem chamados a depor, mas no ano passado autorizou a divulgação de ficheiros relacionados com Epstein, um criminoso sexual condenado que foi encontrado morto na sua cela de uma prisão federal em Nova Iorque em 2019 enquanto aguardava julgamento.
Os Clinton aceitaram prestar depoimento depois de a Comissão ter rejeitado declarações escritas, efetuadas sob juramento, e de o seu presidente, o republicano James Comer, ter ameaçado avançar com acusações de desacato ao Congresso.
Numa entrevista recente à estação televisiva britânica BBC, Hillary Clinton afirmou que o marido participou em viagens de beneficência com Epstein e que se recordava de ter interagido com a ex-companheira do consultor financeiro Ghislaine Maxwell em conferências da Fundação Clinton.
Maxwell, a cumprir uma pena de 20 anos pelo crime de tráfico sexual de menores, esteve também presente no casamento da filha do casal, Chelsea Clinton, em 2010.
"Estamos mais do que dispostos a dizer o que sabemos, que é muito limitado e totalmente sem relação com o comportamento ou os crimes deles", declarou Hillary Clinton.
Bill Clinton tem sido apontado por republicanos como um dos focos da investigação, após a divulgação, em janeiro, de fotografias suas incluídas no primeiro lote de ficheiros tornados públicos pelo Departamento de Justiça, embora não tenha sido acusado de qualquer irregularidade.
A investigação da Comissão procura esclarecer por que razão o Departamento de Justiça, em administrações anteriores, não apresentou novas acusações federais contra Epstein após um acordo judicial em 2008, no qual este se declarou culpado na Florida por aliciar uma menor para prostituição.
Alguns democratas na Comissão de Supervisão apoiaram o avanço das diligências, defendendo maior transparência no caso.
O congressista Robert Garcia defendeu que tanto governos republicanos como democratas falharam ao não divulgarem mais informação pública, acrescentando que pretende questionar eventuais ligações de Epstein a governos estrangeiros.
Governo dos EUA reexamina documentos de caso Epstein após acusações de ocultação de ficheiros
O Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos comprometeu-se a reexaminar documentos do caso Epstein, depois de os média acusarem o Governo de ocultar vários que mencionavam Donald Trump, incluindo acusações de agressão sexual a menores.
A rádio pública NPR noticiou na terça-feira que o DoJ - liderado por Pam Bondi, fiel seguidora do Presidente republicano, Donald Trump - impediu a publicação de documentos relacionados com acusações contra o dirigente, segundo as quais teria abusado sexualmente de uma menor.
De acordo com a NPR, vários documentos que mencionam acusações contra Jeffrey Epstein e que evocam Donald Trump também foram retirados da base de dados pública relativa ao criminoso sexual que morreu na prisão em 2019 antes de um julgamento.
Num comunicado publicado na quarta-feira à noite, o Departamento de Justiça escreveu que, de acordo com os meios de comunicação social, os ficheiros relativos à cúmplice de Epstein, Ghislaine Maxwell, pareciam estar em falta na base de dados pública.
"Tal como acontece com todos os documentos que foram sinalizados (...), o departamento está atualmente a rever os ficheiros pertencentes a esta categoria", escreveu na rede social X.
"Se um documento for considerado mal classificado durante o processo de revisão e atender aos critérios da lei, e departamento irá, naturalmente, publicá-lo", garantiu o DoJ, referindo-se ao texto aprovado no ano passado para ordenar ao Governo que divulgasse todos os arquivos sobre Epstein.
Anteriormente, o DoJ afirmou na X que "NADA foi suprimido", apenas documentos duplicados, sujeitos a uma proibição legal de publicação ou que fazem parte de uma investigação federal em andamento não foram tornados públicos, garantiu.
O jornal New York Times noticiou, na quarta-feira, que entre os documentos não publicados estão notas da polícia federal (FBI), que resumem interrogatórios realizados em conexão com as acusações de uma mulher em 2019.
A mulher apresentou-se após a detenção de Epstein e afirmou ter sido agredida sexualmente algumas décadas antes, quando era menor, por este e Donald Trump.
O diário nova-iorquino noticiou que, dos quatro interrogatórios realizados, apenas um resumo - referindo as acusações contra Jeffrey Epstein - foi divulgado publicamente.
Representantes democratas da poderosa comissão de supervisão da Câmara dos Representantes afirmaram, por seu lado, ter investigado nas últimas semanas o trabalho do FBI em torno destas acusações formuladas em 2019. Afirmam "poder confirmar que o Departamento da Justiça parece ter retido ilegalmente interrogatórios do FBI" com a alegada vítima.
"Sufocar provas diretas de uma potencial agressão por parte do Presidente dos Estados Unidos é o crime mais grave possível nesta operação de encobrimento da Casa Branca", acusaram na quarta-feira na X.
"Esta é a maior operação de encobrimento do Governo na história moderna (...). Exigimos respostas", continuaram.
Consequentemente, o Departamento de Justiça exortou-os a "pararem de enganar o público em geral, fabricando indignação por parte da sua base radical anti-Trump".
O DoJ publicou em 30 de janeiro "mais de três milhões de páginas", parcialmente censuradas, do dossiê Epstein, afirmando que a administração Trump cumpriu a obrigação legal de esclarecer totalmente este caso politicamente explosivo.
Mas várias vítimas de Jeffrey Epstein estão indignadas com o facto de muitos documentos terem sido censurados e de não ter sido dado qualquer seguimento judicial aos supostos cúmplices do criminoso sexual condenado.
Outrora próximo de Jeffrey Epstein, Donald Trump sempre negou ter conhecimento de qualquer comportamento criminoso e garante ter rompido com o empresário muito antes deste enfrentar a Justiça.

