Ex ministro de Moçambique diz que justiça "despertou" para o caso das dívidas ocultas
O antigo-ministro das Finanças de Moçambique Tomaz Salomão considera que as detenções ocorridas no fim de semana em Maputo no âmbito das chamadas dívidas ocultas mostram que a justiça moçambicana despertou para o caso, defendendo que o país deve renegociar com os credores.
"A justiça despertou para o caso e fez o que devia ter feito", declarou Tomas Salomão, em entrevista à emissora pública Rádio Moçambique.
O antigo ministro afirmou que se as autoridades judiciais moçambicanas tivessem agido atempadamente a justiça norte-americana não teria tomado a iniciativa de pedir a extradição do antigo ministro moçambicano das Finanças Manuel Chang e de outras figuras envolvidas nas chamadas dívidas ocultas.
Tomaz Salomão assinalou que a ilegalidade que norteou operação das dívidas ocultas permite uma maior margem de negociação com os credores, mas defendeu que é prematuro afirmar que o país não deve pagar os encargos.
Salomão é atualmente membro da Comissão Política da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder, e foi secretário-executivo da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da Africa Austral (SADC), sendo uma das figuras mais críticas do processo que levou as dívidas ocultas.
A ministra das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul disse hoje que Manuel Chang será repatriado para o país e não será extraditado para os EUA, onde é procurado pela justiça norte-americana.
Manuel Chang será ouvido em tribunal na África do Sul no dia 26 sobre o pedido de extradição feito pelos EUA, que acusam o ex-ministro de fraude eletrónica, fraude informática e branqueamentos de capitais, pela sua participação na operação que resultou nas chamadas "dívidas ocultas".
Chang foi detido a 29 de dezembro do ano passado na Africa do Sul, quando se preparava para embarcar para Dubai.
No âmbito do processo das dívidas ocultas, de mais de dois mil milhões de euros, oito pessoas foram detidas no passado fim de semana em Maputo e uma responde ao processo em liberdade, depois de ter pago caução.
Entre os detidos, encontram-se Ndambi Guebuza, filho do antigo Presidente moçambicano Armando Guebuza, a antiga secretária particular do ex-estadista Ines Moiane e ex-membros da hierarquia dos Serviços de informação e Segurança (SISE).
