O Comando Militar Norte-Americano para África (AFRICOM) não tem interesse em mudar-se para Cabo Verde e "provavelmente" vai manter a sua sede na Alemanha, disse hoje, na cidade da Praia, o comandante-adjunto da organização militar.
"Temos sede na Alemanha e provavelmente vamos continuar lá. Temos uma base permanente em África, no Djibuti, e todas as nossas instalações no continente são desenhadas para serem temporários e para emergências", disse Alexander Laskaris.
O comandante-adjunto da AFRICOM falava aos jornalistas após ser recebido pelo primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, a quem foi apresentar a próxima conferência "AFRICA ENDEAVOR 2018" que será organizada pela primeira vez em Cabo Verde, em finais de julho e início de agosto, na ilha do Sal.
Em fevereiro, após receber a visita de uma delegação das Forças Armadas dos Estados Unidos da América, o chefe das Forças Armadas cabo-verdianas, Anildo Morais, disse que o país "tem condições" para acolher a sede do AFRICOM e que a "possibilidade" seria analisada no futuro.
Questionado hoje sobre o interesse de Cabo Verde, o comandante-adjunto disse que o AFRICOM não tem planos para ter instalações permanentes em África, mas se houver uma emergência ou crise na região, os Estados Unidos solicitam ajuda ao arquipélago cabo-verdiano.
O embaixador Alexander Laskaris deu como exemplo a epidemia do ébola na Libéria em 2014, em que as Forças Armadas dos Estados Unidos responderam a partir do Senegal, com as suas instalações em Dacar.
"São esses os tipos de acordos que geralmente procuramos em África, não estamos à procura de bases permanentes", reforçou o chefe militar.
O AFRICOM, operacional desde 2008 e com sede em Estugarda, Alemanha, visa aumentar a segurança marítima, combater o terrorismo e o tráfico de droga, a pirataria e ainda a prevenção de conflitos em todo o continente africano.
É um dos nove comandos de combate unificado regionais das Forças Armadas dos Estados Unidos, responsável pelas operações e relações militares e de segurança nos países africanos.
Numa visita de 24 horas, a sua primeira a Cabo Verde, o comandante-adjunto da AFRICOM teve também um encontro com o chefe de Estado das Forças Armadas, com quem discutiu a situação da segurança marítima do arquipélago.
O chefe das Forças Armadas cabo-verdianas pediu também uma "presença mais assídua" de navios da Guarda Costeira dos Estados Unidos, para apoiar na fiscalização da sua Zona Económica Exclusiva (ZEE), mas também para exercícios conjuntos, formação e treinos.
Alexander Laskaris não deu garantias quanto ao aumento de patrulhamento, mas disse que os Estados Unidos vão continuar a ajudar Cabo Verde a criar as condições e ter capacidade para manter a segurança da sua zona marítima.
O comandante-adjunto sublinhou ainda a capacidade de Cabo Verde em trabalhar com outros parceiros, como Espanha, Portugal, Brasil e União Europeia, na luta contra todas as formas de tráfico na região, como de drogas, armas e pessoas.
Sobre a conferência "AFRICA ENDEAVOR 2018", Laskaris salientou a importância de proporcionar benefícios mútuos, aumentando as capacidades de todas as forças.
"Tudo o que fazemos em África é com e pelos nossos parceiros africanos. O nosso objetivo não é fazer coisas sozinhos, mas sim em parceria e Cabo Verde é uma das nações marítimas mais sofisticadas no mundo, por isso temos uma parceria de qualidade", referiu.
A conferência, realizada anualmente pela AFRICOM, vai reunir representantes de mais de 40 países, com o objetivo de desenvolver a interoperabilidade entre os países africanos parceiros, bem como o treino das forças.
Alexander Laskaris foi acompanhado na visita que fez ao primeiro-ministro de Cabo Verde pelo embaixador dos Estados Unidos em Cabo Verde, Donald Helfin.
