A Autoridade Tributária moçambicana denunciou hoje a existência de "sindicatos de crime" para desvio de impostos em Moçambique, numa rede que envolve contabilistas, funcionários de empresas e instituições bancárias.
"Estes fenómenos abrangem, frequentemente, alguns agentes económicos inscritos na Unidade de Grandes Contribuintes de Maputo e são valores bem significantes", disse o diretor-geral adjunto de Impostos, Domingos Muconto, citado hoje pelo diário Notícias.
A rede, que funciona desde 2013, desvia cheques destinados a pagamentos de impostos nas unidades de cobrança da Autoridade Tributária, de acordo com a fonte.
O valor desviado é canalizado para contas bancárias com nomes similares aos das unidades de cobrança da AT.
"Trata-se de dinheiro que nunca chega aos cofres do Estado", observou Domingos Muconto, acrescentando que, uma vez detetada a fraude, a AT notifica o verdadeiro contribuinte, mas este é muitas vezes penalizado por incumprimento de prazos.
De acordo com a fonte, a última tentativa de desvio foi registada na terça-feira e foram detetadas outras num valor acumulado na ordem dos 181 milhões de meticais (cerca de dois milhões de euros).
