Vitória ou "morte" para o dragão

Vitória ou "morte" para o dragão

Não há volta a dar. Para o Porto só a vitória serve no clássico e isso pode também ser uma vantagem para um Benfica especialista em ataques rápidos e habitualmente muito maias eficaz que os portistas.

1. Porto - Benfica (sábado, 20.30)

Para o Porto este é um jogo de vida ou morte. Em sentido figurado, pois claro, porque isto continua a ser apenas futebol. Vencer o Benfica representa para os portistas manterem-se vivos na luta pelo título, diminuindo a desvantagem na tabela para uns recuperáveis 4 pontos, ficando com vantagem no confronto direto e com uma confiança renovada.

Empatar ou perder significa para o Porto morrer enquanto concorrente credível ao Benfica na referida luta - depois deste jogo ficarão a faltar 14 jornadas para o fim do campeonato, mas os encarnados somente perderam 3 pontos até à jornada 19 (e perante o Porto), e não parece muito razoável pensar que podem perder 7 ou 10 pontos de vantagem quando as deslocações mais temíveis que têm que enfrentar são a Vila do Conde e Famalicão. Já os dragões ainda terão de se deslocar a Guimarães, Braga e Famalicão, por exemplo.

Acrescente-se que, com Bruno Lage, o Benfica, em pouco mais de um ano, disputou 114 pontos e conquistou 109, ou seja, apenas não venceu 2 encontros em 38: o empate com o Belenenses SAD e a derrota com o Porto (ambas no estádio da Luz).

O Benfica está, pois, numa posição muito mais confortável perante o jogo deste sábado e como equipa que explora muito bem as transições (Rafa, Pizzi e Cervi são especialistas conhecidos) vai tentar tirar todo o partido do "desespero" portista.

O jogo dos mais fortes

Os encontros entre Porto e Benfica são cada vez mais os verdadeiros clássicos do futebol português, uma vez que o Sporting tem vindo claramente a perder terreno para os dois rivais. Desde 2009/10, ou seja, na última década, Benfica e Porto lutaram ombro a ombro por 7 títulos (2011/12, 2012/13, 2014/15, 2016/17, 2017/18 e 2018/19), sendo que o Sporting apenas esteve envolvido numa luta acérrima (2015/16) e o Braga esteve noutra (2009/10), em ambos os casos com o Benfica. Já os campeonatos de 2010/11 (Porto) e 2013/14 (Benfica), foram decididos relativamente cedo.

Alargando um pouco mais o espaço temporal de análise, percebemos que a bipolarização da liga portuguesa já não é um fenómeno recente: nos últimos 17 anos só Porto (10) e Benfica (7) levaram o troféu mais desejado para os seus museus. E nos últimos 40 anos os dois clubes conquistaram 36 campeonatos entre si (o Porto 21, o Benfica 15) apenas deixando 3 para o Sporting e 1 para o Boavista.

Há, no entanto, uma tendência recente para o aumento do poder do Benfica em relação ao próprio Porto: o Benfica nos últimos dez anos foi 6 vezes campeão, enquanto o Porto foi 4, mas só numa liga o clube da águia não foi candidato até ao fim. Além disso, o Benfica conquistou 5 dos derradeiros 6 campeonatos.

Ora, o que parece acontecer neste momento - sendo bem refletido no jogo deste sábado - é o esforço portista para não deixar fugir o Benfica, não apenas neste campeonato mas no panorama competitivo mais geral do futebol português, muito em resultado da superior saúde financeira dos encarnados.

A deslocação mais difícil para o Benfica

O reduto do Porto - seja a Constituição, o Lima, as Antas, ou o Dragão - é historicamente o campo mais complicado para o Benfica, no campeonato e não só, de tal forma que é mesmo o único em que as águias têm registo negativo. E muito negativo.

O Benfica tem registo positivo até em Alvalade - onde para o campeonato ganhou mais vezes do que perdeu. Mas no terreno do Porto tem 59% de derrotas e apenas 15% de triunfos. Mesmo na década de sessenta, quando foi um grande da Europa, perdeu mais do que ganhou nas Antas.

E até nos últimos dez anos, que vimos serem de domínio do Benfica, os encarnados só ganharam 2 vezes no Dragão, empatando 4 e perdendo outras 4. Pior ainda, nos últimos 10 confrontos, independentemente do local e da competição, foram derrotados pelo Porto em 5 ocasiões, empatando 2 e vencendo 3.

Já agora, recorde-se igualmente que o Porto é a única equipa com que o Benfica tem um histórico total negativo: em todas as competições já perdeu 94 jogos e ganhou 88. Um registo que não tem correspondência em termos de títulos internos conquistados, como sabemos, com a exceção da Supertaça, já que os encarnados são os mais titulados em todas as outras competições que fazem parte do atual calendário competitivo nacional.

A principal esperança do Benfica em relação à presente visita ao Porto está no seu bom comportamento recente no Dragão: nas 3 últimas temporadas não perdeu, somando 2 empates e 1 vitória (a da liga transata). Este é um registo tão raro que se assume como único em toda a longa presidência de Pinto da Costa, que em 38 anos nunca estivera 3 épocas seguidas sem vencer o Benfica em casa.

Aliás, em toda a história, o Porto só por duas vezes perdeu dois jogos seguidos para o campeonato em casa com o Benfica e foram consecutivas: 1975, 1976 e 1977.

Por exemplo, nos últimos 40 anos o Benfica apenas venceu 4 vezes no recinto do Porto para o campeonato (1990/91, 2005/06, 2013/14 e 2018/19), sendo que em 3 dessas ocasiões foi campeão (a exceção é 2005/06, com a vitória final do Porto de Co Adriaanse). Já o Porto no mesmo período ganhou 11 vezes na Luz.

Relativamente aos tempos mais recentes, os tais 3 anos de bons resultados do Benfica no Dragão há ainda essa curiosidade: o Porto também tem conseguido um bom desempenho na Luz: 2 vitórias e 1 derrota. Ou seja, os visitantes têm sido mais felizes...

A importância da eficácia coletiva

O Porto é melhor equipa do campeonato enquanto anfitriã, a par do Benfica, com apenas 3 pontos perdidos (há cerca de 3 semanas, perante o Braga, num jogo em que sofreu os primeiros golos no Dragão na liga). Já o Benfica é o melhor enquanto visitante, sem qualquer ponto perdido, sendo que com Bruno Lage ao comando, os encarnados ainda não cederam qualquer ponto fora de casa - com o tal recorde nacional absoluto de 18 vitórias em 18 encontros.

Igualmente relevante é o fato de se defrontarem o líder incontestado da liga (com apenas 3 pontos perdidos em 19 jogos), e a única equipa que o bateu, da mesma forma que é curioso que a diferença de 7 pontos não se reflita nos principais dados coletivos de desempenho das duas equipas no campeonato.

Ao contrário da época passada, em que o Benfica foi melhor na classificação mas também na generalidade destes dados, na atual liga o Porto tem dados superiores aos dos encarnados. Constrói mais ocasiões de golo em média por jogo (5.9 contra 5.7), remata mais vezes (15.2 contra 14.9), acerta mais vezes no alvo (5.8 contra 5.1). Da mesma forma, os portistas concedem menos remates e permitem menos ocasiões de golo aos adversários.

No entanto, o Benfica marca mais golos (47-41) e sofre menos (8-12), o que demonstra plenamente que é uma equipa muito mais eficaz e eficiente, quer ofensiva quer defensivamente.

Aliás, as diferenças são claras em termos de percentagem de aproveitamento das ocasiões de golo (43% no caso do Benfica e 36% no do Porto), e dos remates efetuados (16.6% do Benfica; 14% do Porto).

A diferença (também) está nos avançados

A superioridade coletiva do Benfica, a sua superior eficiência como equipa, resulta em grande parte da eficácia ofensiva dos seus principais concretizadores: Pizzi e Carlos Vinícius, em relação aos avançados do Porto.

Os dois jogadores das águias são simplesmente os mais influentes do campeonato: Pizzi com 12 golos e 8 assistências e Vinícius com 12 golos e 5 assistências, enquanto no Porto o mais influente é um defesa, Alex Telles (5 golos e 5 assistências) e o segundo é Corona, que tem jogado quase sempre como lateral direito (2 golos e 7 assistências). Só depois surge um avançado, Soares, com 7 golos e 1 assistência.

Igualmente fundamental para a diferença de eficácia das duas equipas é a capacidade de aproveitamento das oportunidades de golo dos jogadores mais avançados: Carlos Vinícius não chega a precisar de 2 oportunidades para marcar um golo, enquanto Pizzi habitualmente fatura a cada 2 situações. Já no Porto, os dois atacantes mais utilizados, Soares e Marega, precisam de, pelo menos, 3 ocasiões claras para concretizar um golo.

Finalmente, destaque individual para os guarda-redes: Marchesín e Vlachodimos. São consensualmente considerados os dois melhores do campeonato e embora se saiba que os guarda-redes dos clubes grandes fazem menos intervenções decisivas por encontro (exigindo níveis de concentração e eficácia muito elevados), ambos apresentam dados impressionantes neste particular, ao mesmo tempo que raramente falham.

Desde o princípio do campeonato Marchesín realizou 18 partidas (apenas uma vez não jogou) e realizou 18 defesas decisivas, registando somente um falha grave num golo. Mas Vlachodimos consegue ainda melhor: foi sempre titular (19 jogos), somando 25 intervenções salvadoras e não regista qualquer erro em golos adversários.

PROBABILIDADES NR: Porto 40% / empate 30% / Benfica 30%

2. Sporting-Portimonense (domingo, 17.30)

Depois da derrota em Braga que atirou o Sporting para o quinto lugar do campeonato as coisas apenas se podiam complicar em Alvalade.

A equipa está a apenas 1 ponto do terceiro (Braga) e em igualdade pontual com o quarto (Famalicão), mas só tem 3 pontos de avanço sobre o sexto, o Rio Ave. E convém lembrar que nesta segunda volta, os leões têm um calendário terrível: ainda se deslocam a casa do mesmo Rio Ave, assim como a Famalicão, Guimarães, Dragão e Luz.

E, claro, perderam Bruno Fernandes (15 golos e 12 assistências em todas as competições, o que representa participação decisiva em 56% dos golos do Sporting).

Sem Bruno Fernandes e também sem Luiz Phellype, lesionado até final da temporada, resta aos leões apostar as fichas todas no terceiro melhor marcador, Vietto, com somente 3 tentos e em Šporar, para já ainda em processo de adaptação ao campeonato português.

As outras esperanças leoninas são os os jovens "turcos" de características ofensivas, que ainda não se afirmaram: Rafael Camacho, Jovane Cabral e Gonzalo Plata, todos ainda sem golos na liga.

Claro que a receção ao Portimonense é uma bela oportunidade para acertar contas com os desaires recentes e amealhar pontos na luta que se antevê titânica pelo terceiro lugar. Os algarvios são penúltimos da classificação e são a pior equipa da liga nas semanas mais recentes: 3 derrotas nos últimos 3 jogos; não ganham há 7 jornadas e só venceram um encontro nas últimas 17 rondas. Pior do que isto seria difícil...

Historicamente, também o registo do Portimonense não podia ser mais negativo em Alvalade: 16 jogos - 16 derrotas!

PROBABILIDADES NR: Sporting 75 % / Empate 17 % / Portimonense 8%