Que comecem as finais do título!

Ainda faltam 14 jornadas para o fim, mas depois de o Porto manter a luta pelo título viva, ao vencer o Benfica, é provável que a propósito dos encontros dos dois candidatos surja o habitual discurso "cada jogo é uma final"...

Nada melhor do que uma jornada exigente para Benfica e Porto logo a seguir ao clássico para acentuar o dramatismo e emoção, até porque o restante calendário dos dois contendores nem parece especialmente complicado.

Após esta jornada 21, as partidas teoricamente mais complicadas do campeão Benfica serão as deslocações a Vila do Conde e Famalicão e a receção ao Sporting, enquanto o Porto enfrentará ainda saídas até Braga e Famalicão e receberá também os leões.

Benfica-Braga (sábado, 18.00)

É um facto que os encarnados somente perderam 6 pontos em 60 disputados até ao momento no campeonato (todos com o Porto), mas além do eventual abanão emocional que a derrota no Dragão terá provocado, o Benfica parece estar a passar por um dos piores períodos exibicionais da temporada. Simultaneamente, o próprio Bruno Lage considerou após o empate em Famalicão, para a Taça, que a equipa demonstrara algum desgaste físico, na sequência de 4 jogos em 11 dias.

Ora, a receção ao Braga será o quinto jogo em 15 dias (sendo que se seguem as duas mãos da eliminatória com o Shakhtar em apenas uma semana). Enquanto isso, o Braga realizou apenas 2 encontros em 13 dias. Poderá isso ter influência no jogo deste sábado, a favor dos bracarenses?

A acrescentar a esta eventual vantagem minhota está a fantástica campanha recente do Braga, que desde a chegada de Rúben Amorim ao comando técnico venceu 7 jogos e empatou 1, incluindo 2 triunfos sobre o Porto e 1 sobre o Sporting, e conquistou uma competição (a Taça da Liga).

Claro que no campeonato só o Porto venceu o Benfica, além de que o Braga já perdeu duas vezes com as águias (4-0 na cidade dos Arcebispos e 2-1 na Luz para a Taça de Portugal), apesar de isso ter acontecido antes de Rúben Amorim.

Além disso, o histórico do confronto Benfica-Braga no campeonato é impiedoso para os minhotos: nos últimos 10 jogos na Luz, perderam 9 e empataram 1, sendo que nas últimas 5 partidas o score de golos foi de 19-5 para os lisboetas, que por exemplo na época passada venceram por 6-2. Na época passada, os jogos entre as duas equipas resultaram numa "goleada" benfiquista conjunta de 10-3, a que se junta já esta época o tal triunfo por 4-0 em Braga.

Os receios dos benfiquistas relativamente a este jogo passarão com certeza pelas debilidades defensivas recentes da equipa: sofreu golos nos últimos 4 jogos, um total de 8 (à média de 2 por encontro, quando antes a sua média geral da temporada não chegava a 1 golo sofrido por partida).

Talvez ainda mais preocupante é o facto dessa debilidade defensiva se estender aos jogos em casa: há 55 anos que o Benfica não sofria 2 golos por jogo em três partidas consecutivas em casa (Rio Ave, Belenenses SAD e Famalicão).

Além disso, parece cada vez mais claro que os adversários já perceberam, e passaram a explorar, a fragilidade do lado esquerdo da defesa encarnada: dos tais 8 golos concedidos nos últimos 4 encontros, 6 tiveram origem nesse flanco da defesa do Benfica.

A tudo isto há que juntar o bom momento do Braga e os seus ótimos números ofensivos, que em muitos casos até ultrapassam os do Benfica, apesar de este ter mais golos marcados (49 contra 32 do Braga) e menos golos sofridos (11 contra 23).

Alguns exemplos: o Braga remata mais vezes em média por jogo do que o Benfica (15.6 contra 14.7), acerta mais no alvo (5.7 contra 5) e tem o mesmo número médio de remates na área (9).

Mas a favor dos encarnados está aquela que tem sido a sua grande arma desta nesta temporada: a eficácia ofensiva, que se traduz num aproveitamento próximo dos 50% das ocasiões claras de golo. O jogo em Famalicão da passada terça-feira foi um caso paradigmático: em 2 oportunidades claras o Benfica marcou 1 golo, enquanto o Famalicão precisou de 8 ocasiões para fazer igualmente 1 golo.

Nesse sentido, o Benfica deve muito aos seus melhores marcadores, que são igualmente os dois primeiros do campeonato: Carlos Vinicius (14 golos na Liga) e Pizzi 12).

Mas não deixa de ser verdade que neste jogo da Luz vão estar presentes os 4 melhores goleadores da temporada futebolística nacional: os benfiquistas Pizzi (22 golos) e Vinicius (19) e os braguistas Paulinho (17) e Ricardo Horta (17). Pode muito bem ser que este dado curioso possa valer um jogo com muitos golos e emoção. Que assim seja.

PROBABILIDADES NR: Benfica 60% / empate 25% / Braga 15%

Rio Ave - Sporting (sábado, 20.30)

O 3º da classificação recebe o 5º, mas com somente 3 pontos a separarem os dois conjuntos. De tal forma que se tudo correr a seu favor (vitória em Alvalade, derrota do Braga na Luz e empate/derrota do Famalicão com o Aves) o Rio Ave até pode terminar a jornada 21 no 3º lugar.

Os vilacondenses até já ganharam ao Sporting 2 vezes em Alvalade na presente temporada, para o campeonato e para a Taça da Liga, ainda antes da chegada de Silas ao Sporting. Além disso, têm menos derrotas na prova do que os leões (6 contra 7), menos golos sofridos (20 contra 22), e apenas menos três golos marcados (28 contra 31).

Acresce dizer que nos últimos 6 jogos de todas as competições, o Rio Ave somente perdeu 1 (2-3, na Luz, e foi para a Taça de Portugal). No campeonato, venceram 4 e empataram 1 nos últimos 5 encontros. Um registo muito mais positivo do que o do Sporting, que soma 3 derrotas nas derradeiras 6 partidas. Duas dessas derrotas aconteceram em casa, com Porto e Benfica, sendo que são já 4 os desaires caseiros dos leões na liga, mais do que os sofridos fora de portas (3).

Também o Rio Ave possuiu melhor registo enquanto visitante, uma vez que já perdeu 3 vezes em Vila do Conde.

O histórico recente entre as duas equipas no Estádio dos Arcos não é particularmente desequilibrado, com o Sporting a vencer 50% dos jogos (5) mas a perder 2 e a empatar 3. Ainda assim ganhou nas duas últimas deslocações a Vila do Conde.

PROBABILIDADES NR: Rio Ave 25% / empate 30% / Sporting 45%

V. Guimarães - Porto (domingo, 17.30)

Não tem sido nada fácil a vida portista nas últimas visitas a Guimarães: em 6 jogos, 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota. Aliás, na época passada os portistas perderam 5 pontos perante o Vitória (derrota no Dragão e empate no D. Afonso Henriques), que tiveram grande peso no desfecho do campeonato.

Há mesmo um detalhe curioso na história recente (do século XXI) nas deslocações do Porto ao Berço. Desde 2001 que, em apenas uma ocasião, uma vitória portista em Guimarães já na segunda volta não correspondeu à conquista do título: aconteceu em 2016/17. Ou seja, em temos recentes, o resultado obtido pelo Porto no Castelo é uma espécie de oráculo do desfecho do campeonato (quando os portistas estão envolvidos na luta pelo título na segunda metade da liga).

Na época passada, por exemplo, o Porto empatou (0-0) em Guimarães, à 20ª jornada (esta temporada o jogo pertence à 21ª jornada), o que contribuiu para a perda da vantagem pontual sobre o Benfica.

Se é um facto que o Porto cedeu 5 pontos em 6 possíveis nos jogos com o Vitória na liga passada, na atual temporada já venceu os vitorianos por duas vezes (3-0 no Dragão para o campeonato e 2-1 em Braga nas meias-finais da Taça da Liga).

A equipa de Ivo Vieira segue no 7º lugar do campeonato, apenas com mais 2 pontos do que Santa Clara e V. Setúbal, mas também com somente menos 4 pontos do que os quinto e sexto classificados (Rio Ave e Famalicão).

Trata-se, no entanto, de uma equipa que pratica bom futebol, assumindo-se como 3º melhor ataque da liga, com 33 golos (mais 2 do que o Sporting e menos 11 do que o Porto), e até se pode orgulhar de ser o conjunto com mais remates efetuados em média por encontro (16.2). Os portistas ficam-se pelo 3º lugar nesse ranking (15.3), enquanto em termos de remates no alvo a diferença entre as duas equipas é mínima, apesar de o Porto ser líder neste particular (5.9 contra 5.4). Também nos remates na área há grande igualdade (8.7, em média por jogo, do Porto; 8.4 do Vitória).

Tudo indica, pois, que este será um encontro muito disputado, até porque os vitorianos são das melhores equipas em casa (5º lugar) e a 3ª que menos golos concede nesta condição (8 golos - contra 5 do Porto e do Benfica). Para os vitorianos, será fundamental manterem um bom desempenho da defesa das bolas paradas ofensivas do Porto, que no encontro da 2ª mão da meia-final da Taça, da passada quarta-feira, voltou a ser muito forte neste tipo de lances (após alguns jogos menos conseguidos neste particular), com 3 golos marcados na sequência de bolas paradas.

Também por isso um dos homens a ter debaixo de olho é Alex Telles, que leva já 9 golos marcados na temporada (nos portistas só os avançados Soares - impedido de jogar em Guimarães, por castigo - Luis Dias e Zé Luís têm mais golos), contando com 7 golos e 5 assistências no campeonato, além de mais 6 participações na construção de tentos azuis e brancos na prova, quase todas como cobrador de livres e cantos.

Telles é o jogador portista mais valioso na prova, enquanto no Vitória esse estatuto é partilhado por Marcus Edwards (4 golos e 3 assistências) e Bruno Duarte (3 golos e 4 assistências).

PROBABILIDADES NR: V. Guimarães 20% / empate 30% / Porto 50%