Jornada de dérbis e duelo de águias no fim do primeiro terço

Jornada de dérbis e duelo de águias no fim do primeiro terço

Pode não parecer, mas o campeonato atinge este fim de semana o final do seu primeiro terço, assim como o término de mais um ciclo competitivo, antes de mais uma paragem para jogos da Seleção Nacional. E para apimentar ainda mais esta ronda temos dois dérbis, um de Lisboa e outro do Porto, assim como um duelo de águias.

Santa Clara - Benfica (9/11, sábado, 18.00)

Nem vale a pena insistir mais nas duas caras do Benfica, a das competições nacionais e da Liga dos Campeões. Os números são esmagadores: quase 60% de derrotas nas últimas 4 temporadas na Champions, contra apenas 8% no campeonato português, no qual os encarnados têm perto de 80% de triunfos.

A grande questão é se a equipa poderá, a páginas tantas, começar a pagar também no campeonato a instabilidade que criam as derrotas na Europa e toda a onda de choque mediático que provocam.
Isso não tem acontecido até agora e continua a ser inquestionável o poderio encarnado na liga interna: melhor ataque (23), melhor defesa (3 golos sofridos; 8 dos 10 jogos realizados sem sofrer golos); está invicto há 4 encontros; ainda não perdeu pontos fora de casa (aliás, com Bruno Lage isso nunca sucedeu) e nessa condição apenas concedeu um golo na presente liga (em Moreira de Cónegos).

Além disso, se há umas semanas tínhamos dito que o nível exibicional e os números ofensivos dos encarnados estavam muito aquém dos da época passada no consulado de Bruno Lage, os encontros das duas últimas jornadas - embora ambos em casa - trouxeram melhorias claras em termos exibicionais e de produção ofensiva. Mais ocasiões de golo (média de 7, contra média anterior de 5.3); mais remates (18.5, contra média anterior de 14); mais remates na área (13.5, contra média anterior de 9); e mais passes-chave (15.5, contra média anterior de 11).

Registe-se igualmente o crescimento significativo dos golos de bola parada (sem contar com penaltis): um total de 4 em 3 jogos, contra 3 nos 7 jogos anteriores), desbloqueando desta forma os empates a zero que se registavam nos referidos 3 encontros (Tondela, Portimonense e Rio Ave).

Quanto ao Santa Clara, de João Henriques, busca novamente um campeonato tranquilo, ocupando a 8ª posição, com mais 8 pontos do que o Paços, o primeiro abaixo da linha de água.
O Santa Clara marca poucos golos (e o Benfica sofre ainda menos), com apenas 6 apontados, (pior só o V. Setúbal, 3), e nenhum jogador da equipa tem mais do que 1 golo marcado na Liga.

Em contrapartida, os açorianos são a quinta melhor defesa da prova, com 8 golos sofridos. Defrontam-se, ainda, as duas equipas do campeonato que cometem menos faltas (Santa Clara: 12.5 por jogo; Benfica: 13.4).
Historicamente, o Benfica nunca perdeu com o Santa Clara: num total de 9 jogos entre as duas equipas, 8 triunfos encarnados e um empate (em 2002/03: 0-0 em São Miguel).

PROBABILIDADES NR: 8% Santa Clara / 14% empate / 78% Benfica

Sporting - Belenenses (10/11, domingo, 18.30)

Após três vitórias consecutivas no Campeonato, com Silas, o Sporting parecia a caminho da recuperação mas voltou a escorregar na última jornada, desta vez em Tondela.
E não se pode dizer que tenha sido uma surpresa para quem esteve atento aos sinais dos jogos anteriores dos leões na Liga, mesmo que vitoriosos. Nas Aves, vitória por 1-0, mas 2-4 em oportunidades claras de golo; na receção ao V. Guimarães, 3-1, mas 4-5 em ocasiões; em Paços, 2-1, e 4-2 em oportunidades. Ou seja, o Sporting com Silas continua a produzir pouco em termos ofensivos. Tem mais bola, procura um jogo mais apoiado, mas não é acutilante e demonstra debilidades defensivas importantes.

Aliás os números do campeonato leonino são preocupantes: o Sporting é quarto da tabela, a 10 pontos do Benfica e a 8 do Porto; tem apenas o 5º ataque da prova (16 golos); a 7ª melhor defesa (12 golos sofridos); é 7º em remates efetuados (13.5); 5º em remates no alvo (4.2); 8º em remates na área (6.2); 8º remates sofridos (11.9).

Desde a chegada de Silas, os números não melhoraram (antes pelo contrário) e o caso das oportunidades de golos criadas é elucidativo: passou de 3.9 por jogo para 3 depois da chegada do novo treinador. Também o número médio de remates no alvo e remates na área adversária baixou.

Claro que o Belenenses SAD não é um adversário de peso, a ex-equipa de Silas segue na 12ª posição do campeonato, apesar de ter conseguido duas vitórias nos últimos 3 encontros, mas também é um facto que perdeu claramente nas duas últimas deslocações (3-1 em Famalicão e 0-5 em Guimarães.

PROBABILIDADES NR: 72% Sporting / 20% empate / 8% Belenenses

Boavista - Porto (10/11, domingo, 21.00)

Este é claramente o jogo da jornada. Não só porque se defrontam dois clubes que têm títulos nacionais conquistados, ou porque se trata do maior dérbi da cidade do Porto, mas também porque este é o Boavista mais forte desde o regresso da equipa à I Liga, em 2014, tendo estado 13 jogos sem perder na prova (incluindo os últimos 4 da temporada passada, nos quais somou 4 vitórias).

Na passada segunda-feira, o Boavista perdeu em Setúbal, mas a marca dos 13 jogos sem perder traduz bem a confiança que se vive no Bessa, onde ninguém passa há 9 jogos (incluindo Sporting, 1-1, nem Braga, 2-0, na última jornada em casa).

Ainda para mais, o Bessa é historicamente um campo muito complicado para o Porto, em função dessa rivalidade figadal, sendo mesmo o quarto reduto onde os portistas perderam mais vezes, depois do de Benfica, Sporting e Belenenses.

Claro que estes dados se referem ao período negro do Boavista (nos escalões inferiores entre 2008-2014) porque, depois disso, em nove jogos entre as duas equipas os portistas venceram 8 e empataram 1 (e até foi no Dragão). Nestes 9 encontros, o Boavista apenas marcou um golo, numa derrota por 3-1 no Dragão.
Desde o regresso do Boavista à liga principal, nos 6 dérbis disputados no Bessa, os azuis e brancos ganharam os 6, sem qualquer golo sofrido.

Enfim, até muito pode ter mudado em termos de resultados (antes de 2008 o Porto apenas vencera 2 vezes em 10 anos, ambas com José Mourinho, perdendo 4 vezes) mas esta época estamos perante um Boavista mais forte, que joga melhor futebol ao mesmo tempo que continua a ser poderoso no domínio físico: é a equipa do campeonato mais forte nos duelos aéreos (20.6 por jogo ganhos), a que tem mais amarelos (37), sendo ainda a segunda com mais faltas cometidas (18.4).

Acontece que o Porto não fica muito atrás nas faltas (terceiro, com 17.9) e nos duelos aéreos (segundo, com 19.2). O que contribui para a ideia de que estaremos perante mais uma autêntica Batalha do Bessa, na boa tradição do dérbi mais britânico de Portugal. Um jogo apaixonante por todas as razões, mas que não será se calhar a melhor ocasião para levar filhos pequenos ao futebol...

Restam igualmente poucas dúvidas sobre o tipo de abordagens que teremos das duas equipas e respetivos treinadores: um Porto dominador, a fazer as despesas do jogo, até porque é a equipa com mais posse de bola do campeonato (quase 60% em média por jogo), contra um Boavista que vai jogar no erro do adversário e no contra-ataque e ataque rápido, até porque em geral é um conjunto que não quer a bola (segunda média mais baixa de posse de bola na liga: 44%). Com menos posse na competição só o Marítimo, que tantas dificuldades criou ao Porto recentemente.

Para o Dragão, depois da desilusão de Glasgow - onde confirmou uma desoladora menoridade europeia - o Bessa será um duro teste de resistência, tanto física como mental, ainda para mais sem o verdadeiro líder da equipa, Pepe (lesionado em Ibrox). Será o sexto jogo em 17 dias, com uma rotação mínima de jogadores por parte de Sérgio Conceição, e perder pontos no Bessa pode ser o início de um problema muito sério, até porque chegar ao final do primeiro terço do campeonato a 4 ou 5 pontos do Benfica (mesmo tendo ganho na Luz) seria um verdadeiro desastre.

PROBABILIDADES NR: 15% Boavista / 25% empate / 60% Porto