O quando e o como do campeão anunciado

O quando e o como do campeão anunciado

Neste momento, mais do que conhecer o campeão - o Porto teria que perder os 3 jogos que lhe faltam (e o Benfica vencer sempre) para haver uma reviravolta histórica -, falta saber quando e como ocorrerá a confirmação do título. E é bem provável que saibamos já na terça ou quarta-feira...

Benfica - V. Guimarães (ter., 14 julho, 21.30)

Com o empate consentido a cerca de 5 minutos do fim em Famalicão, o Benfica entregou praticamente o título ao Porto, deixando os azuis e brancos a apenas 1 ponto da conquista mais desejada. Resta saber se os encarnados vão permitir que o rival faça a festa no hotel, às suas custas, já na terça-feira.

Malditas segundas partes

Depois do triunfo na receção ao Boavista, o Benfica dominou as operações em Famalicão, mas a partir sensivelmente dos 65 minutos aconteceu aquilo que tem sucedido muitas vezes neste reatamento do campeonato benfiquista. A equipa soçobrou física e/ou mentalmente, estragando tudo aquilo que fizera bem até ao momento e permitindo que o adversário recuperasse da desvantagem no marcador.

Os precedentes já eram recorrentes: em Portimão, a vencer por 2-0 até ao minuto 65, o Benfica sofreu dois golos e perdeu 2 pontos. Em casa com o Santa Clara, conseguiu por duas vezes dar a volta no marcador até aos 65 minutos, mas nos últimos dez minutos concedeu 2 golos e desperdiçou 3 pontos. Depois, na jornada seguinte, no Funchal, sofreu os golos da derrota aos 74 e 78 minutos.

Ou seja, o Benfica perdeu pelo menos 9 pontos desta forma, e como o Porto tem 8 pontos de avanço as contas são fáceis de fazer. Ainda por cima, recentemente, o rival direto tem ganho a maioria dos seus pontos exatamente nas segundas partes dos encontros, como veremos daqui a pouco.

A "sorte" de jogar sem público

O Benfica terá sido muito provavelmente a equipa mais prejudicada do campeonato pela falta de público neste futebol pandémico - uma vez que é o clube que tem, por larga margem, mais adeptos e habitualmente leva mais espetadores aos estádios. Mas, não deixa de ser uma verdade que neste próximo jogo em casa, perante o Vitória de Guimarães, os jogadores e responsáveis do Benfica até agradecerão que não haja público nas bancadas, porque as manifestações iriam, com certeza, ser pouco agradáveis...

Claro que os jogadores encarnados vão querer evitar a festa portista logo na terça-feira, eles que têm a consciência pesada pela forma como perderam 7 pontos de avanço sobre o Porto já na segunda volta. Aliás, o Benfica desperdiçou a incrível soma de 22 pontos nos últimos 12 jogos. Isto é o mesmo que dizer que conquistou somente 14 pontos em 36 possíveis, menos de 39% do total em disputa.

Abaixo deste desempenho atual só mesmo o de 2000/01 quando o Benfica teve a sua pior classificação de sempre (6º lugar), e nas últimas 12 jornadas do campeonato amealhou apenas 10 pontos, correspondentes a 6 derrotas, 4 empates e 2 vitórias. O treinador era Toni, embora tenha sido Jupp Heynckes a começar a temporada, tendo ainda José Mourinho passado pelo banco encarnado.

Mas há claro uma diferença muito relevante: nessa terrível série de 2001 as águias não estavam envolvidas na luta pelo título...

Um adversário de respeito, mas muito irregular

Nesta altura de agitação para os lados da Luz, o visitante desta jornada pode ser bem complicado, pelo menos se estiver em dia sim.

O Vitória de Guimarães está envolvido na luta por um lugar europeu e tem sido das equipas a apresentar melhor futebol no presente campeonato. Apesar disso, os vitorianos têm conhecido resultados muito irregulares e, por exemplo, nesta retoma, já venceram fora uma das equipas em melhor forma (o Portimonense), mas também perderam em casa, na derradeira jornada, com o Gil Vicente.

Além disso, o conjunto de Ivo Vieira não tem bons resultados perante os grandes na presente época: duas derrotas com o Porto, derrota em Alvalade, derrota em casa perante o Benfica, e apenas um empate na receção ao Sporting.

Curiosamente, a receção das águias ao Vitória minhoto pode ajudar também a decidir um prémio que até à última ronda parecia destinado a ficar na Luz: o de melhor goleador da liga. Pizzi e Carlos Vinicius, com 17 tentos cada um, tinham 3 golos de vantagem sobre Paulinho do Braga, mas este fez um hattrick em Paços de Ferreira e entrou na luta para as 3 jornadas que faltam...

Acrescente-se que, nos últimos anos, o Benfica tem ganho sempre nas receções aos vimaranenses - aliás, para o campeonato os encarnados venceram os últimos 9 jogos perante este adversário, 5 dos quais em casa.

PROBABILIDADES NR: 60% BENFICA / 25% EMPATE / 15 % V. GUIMARÃES

PORTO - SPORTING (qua., 15 julho, 21.30)

Depois de vencer com dificuldade em Tondela, o Porto ficou com o título à distância de 1 mero ponto e só um inacreditável golpe de teatro (surrealista...), que ficaria na história do futebol mundial, poderá evitar um final feliz de azul e branco vestido.

O hábito de acordar na segunda parte

Em Tondela, o Porto voltou a vencer graças a uma segunda parte bem melhor do que a primeira. Uma tendência já sentida em diversos jogos recentes, como foi o caso das fundamentais vitórias frente a Boavista (0-0 ao intervalo, 4-0 final) e a Belenenses SAD (1-0 ao intervalo, 5-0 final).

Como vimos antes, o Benfica tem seguido o guião exatamente oposto, pelo que se pode dizer que o campeonato foi, em grande medida, decidido nas segundas partes dos jogos pós-retoma.

Igualmente bem diferente tem sido a eficácia ofensiva demonstrada por Porto e Benfica nestes últimos encontros: em Tondela, os azuis e brancos foram de novo uma equipa extremamente eficaz, na sequência do que tem acontecido após aquele importante intervalo do Porto-Boavista. Desde então, o Porto marcou 13 golos numa vintena de oportunidades claras, o que representa um aproveitamento à volta dos 65%, o que duplica a média da equipa no campeonato.

Marega tem sido muito importante neste aumento exponencial de eficácia, com 4 golos apontados nos últimos 4 jogos. E o maliano sofreu ainda 3 faltas para penaltis (convertidos) nestas 4 partidas, pelo que teve intervenção direta em 7 dos tais 13 golos portistas. Um Marega absolutamente decisivo, portanto, tal como já havia sido na conquista do título de 2017/18, também com Sérgio Conceição.

O que talvez ajude a explicar a reação complacente de Conceição face ao comportamento infeliz de Marega, no final do jogo de Tondela, a propósito da (não) marcação da grande penalidade que deu o 3-1 final aos dragões....

Igualmente de destacar é a continuidade da competência portista no aproveitamento das bolas paradas: foi assim que desbloqueou o problema Tondela, com mais um golo de canto (o 12º) no campeonato, e o 29ª na sequência de uma bola parada. Nesta altura o Porto segue com 30 golos de bola parada num total de 65 apontados na liga. Um fator igualmente decisivo em todo o campeonato portista e que pode ser importante na receção ao Sporting, que é uma das equipas com pior desempenho em termos de duelos aéreos ganhos na prova.

Um duelo de topo

Claro que o Porto até pode entrar no Dragão para defrontar o Sporting já na condição de campeão, se o Benfica não ganhar ao Vitória de Guimarães no dia anterior.

Mas este não deixará de ser um jogo especial: desde logo porque é um clássico, mas também porque estarão frente a frente as duas equipas com mais pontos conquistados no pós-retoma. O Sporting tem 17 pontos nesta fase, contra 16 do Porto.

Recorde-se que o Porto é, por larga margem, a melhor equipa da liga enquanto anfitriã, com apenas 5 pontos perdidos até ao momento, incluindo a derrota com o Braga, de Rúben Amorim que, portanto, já venceu no Dragão esta temporada, ao serviço do Braga - aliás, a única equipa nacional a conseguir essa proeza.

Além disso, Amorim derrotou também o Porto na final da Taça da Liga, igualmente pelo Braga. Assim sendo, é caso para dizer que Sérgio Conceição tem Amorim "atravessado" na garganta, e vai querer equilibrar um pouco mais este confronto pessoal.

Igualmente atrativa para Conceição será a hipótese de entrar para a história dos dragões por mais um feito histórico: se o Porto vencer na quarta-feira, Sérgio Conceição torna-se o segundo treinador portista a vencer os 4 jogos de uma liga perante os outros 2 grandes - marca que só Mourinho conseguiu, em 2002/03.

Um teste de fogo ao novo Sporting de Amorim

O Sporting até pode ser o líder de uma classificação virtual do pós-retoma, mas tem um registo forasteiro geral no campeonato muito fraco, apenas o 5º melhor, atrás do Rio Ave, por exemplo, somando 4 derrotas e 5 empates, tendo até perdido em Tondela, onde além do Sporting só o Desportivo das Aves caiu. E os leões ainda não se deslocaram ao Dragão e à Luz...

Acrescente-se que, mesmo na retoma, perante adversários da metade superior da classificação da liga (Moreirense e Vitória de Guimarães), o Sporting de Amorim ainda não venceu. Além disso, neste regresso só tem duas vitórias fora, face aos aflitos Paços de Ferreira e Belenenses SAD.

Seja como for, Amorim está já muito perto do recorde de Bruno Lage de jogos consecutivos sem perder no campeonato enquanto treinador estreante na liga principal. Faltam-lhe somente 4 jogos sem derrotas para igualar Lage (21). Mas é um facto que as deslocações ao Dragão e à Luz serão testes de enorme peso e significado.

Claro que Amorim contará com o fenómeno Jovane Cabral, que tem decidido muitos dos jogos pós-retoma dos leões. O jovem cabo-verdiano leva 5 golos nos últimos 5 jogos, e garantiu diretamente a conquista de 6 pontos.

Olhando o histórico de confrontos entre Porto e Sporting em terreno azul e branco nos últimos anos, nos derradeiros 10 jogos os portistas venceram 9, apenas perdendo em 2015/16, quando o Sporting de Jesus lutou até ao fim com o Benfica pelo título nacional.

PROBABILIDADES NR: 50% PORTO / 30% EMPATE / 20% SPORTING