Números Redondos: a luta pelo pódio e a preparação da final da Taça

Números Redondos: a luta pelo pódio e a preparação da final da Taça

Terminada a disputa pelo título, Porto e Benfica começam a pensar na final da Taça, enquanto o Sporting e Braga lutam com unhas e dentes pelo terceiro lugar do pódio.

PORTO - MOREIRENSE (seg., 20 julho, 21.30)

Num jogo que vai ficar marcado pela cerimónia de entrega do troféu do 29º título nacional, o Porto começa a preparar a final da Taça de Portugal, ainda com as emoções do jogo com o Sporting, e a festa possível que se seguiu, bem vivas na memória e no corpo.

Aquilo que o jogo do título confirmou
A partida que carimbou aquilo que parecia inevitável desde a semana anterior - a conquista do campeonato pelo Porto - perante o então líder da classificação virtual da pós-retoma, o Sporting, acabou por ser bem representativa de muitos dos traços que caracterizaram o percurso e a identidade do campeão.

- A fortaleza do Dragão: foi fundamental o fator-casa na conquista portista, com apenas 5 pontos perdidos em 16 jogos caseiros, enquanto o Benfica perdeu 13 pontos na Luz no mesmo número de partidas.

- A importância das bolas paradas: o golo de Danilo, o primeiro da noite, foi o 31º apontado na sequência de uma bola parada, de um total de 67 da equipa no campeonato, sendo ainda o 13º após um canto.

- Mais uma decisão na segunda parte: no pós-retoma, o Porto ganhou a maioria dos seus pontos exatamente nas segundas partes dos encontros. Foi o caso das fundamentais vitórias frente a Boavista (0-0 ao intervalo, 4-0 final), a Belenenses SAD (1-0, 5-0 final), Tondela (0-0, 3-1) e Sporting (0-0, 2-0).

- A vitória da consistência defensiva: mais um jogo sem sofrer golos, confirmando a ideia de que os campeões costumam ser quem melhor defende e menos golos sofre. O Porto de Sérgio Conceição apresenta até ao momento a média de 0.6 golos sofridos por jogo.

- O triunfo da competitividade: não será por acaso que os portistas completaram neste jogo o pleno de triunfos nos 4 jogos da liga contra os grandes de Lisboa, algo que, até hoje, em toda a história dos dragões só Mourinho conseguira, em 2002/03.

Mais um adversário em bom momento
Recorde-se que se o Porto venceu todos os jogos em casa no pós-retoma, o Moreirense é um dos melhores conjuntos a jogar fora de casa desde a paragem: 4 jogos, 3 vitórias e um empate, mudando radicalmente o seu registo como visitante (somente 1 triunfo forasteiro até à jornada 24).

Aliás a equipa de Ricardo Soares é das mais bem-sucedidas na retoma com uns impressionantes 13 pontos conquistados - melhor só o Porto com 19, o Sporting com 17 e o Marítimo com 14.

Na visita ao Dragão, os minhotos terão que se acautelar especialmente com as armas que mais pontos têm dado ao novo campeão:

Por um lado, as famosas bolas paradas, em que Alex Telles tem papel central, ele que leva neste campeonato 10 golos, 7 assistências e 10 participações em jogadas de golo, ou seja, envolvimento direto em 27 dos 67 golos portistas. Igualmente inspirado nestas jogadas tem estado o "capitão" Danilo que marcou os seus 2 únicos golos na liga nos últimos 2 jogos - em Tondela e face ao Sporting - desbloqueando nulos no marcador com golos de cabeça na sequência de cantos.

Por outro lado, o Moreirense terá também que procurar impedir as jogadas de exploração da profundidade e da velocidade de Marega, que marcou 5 golos nos últimos 5 jogos.

O histórico de confrontos entre Porto e Moreirense no reduto azul e branco, é impiedoso para os minhotos: 9 jogos, 9 derrotas, 20 golos sofridos, 3 marcados.

PROBABILIDADES NR: 75% PORTO / 20% EMPATE / 5% MOREIRENSE

Sporting - V. Setúbal (ter., 21 julho, 19.00)
A derrota no Dragão foi um mal menor para o Sporting porque o Braga empatou surpreendentemente com o Belenenses SAD em casa. Os leões entram assim nos 2 últimos jogos da liga com 2 pontos de vantagem sobre os minhotos (mas com desvantagem no confronto direto) na luta pelo terceiro lugar.

E importa relembrar que a diferença entre ficar em terceiro ou em quarto é grande, uma vez que quem for terceiro entra diretamente na fase de grupos da Liga Europa enquanto o quarto tem que passar duas eliminatórias para atingir a dita fase de grupos.

Queda na realidade no Dragão
Em 4 jogos fora com Rúben Amorim, o Sporting não fez muito melhor do que antes da paragem, enquanto forasteiro: 1 derrota (Dragão), 2 empates (Moreira de Cónegos e Guimarães) e só 1 vitória (Belenenses SAD).

Pior do que isso - embora tenha entrado bem no jogo no Dragão e equilibrado totalmente a primeira parte -, a derrota confirmou que sempre que o Sporting de Amorim defrontou equipas colocadas nos primeiros oito da classificação não venceu, como já acontecera perante Vitória de Guimarães e Moreirense.

Isto significa que ainda há muito trabalho pela frente para transformar este Sporting num real candidato ao título, nomeadamente em termos de qualidade do plantel.

Rúben Amorim deixou ainda no Dragão a possibilidade de igualar o incrível recorde de Bruno Lage no que diz respeito a jogos consecutivos sem perder no campeonato como treinador estreante. Faltavam-lhe somente 5 partidas sem perder na liga para igualar Lage (21)...

Cuidado com um V. Setúbal ferido

Até porque na última jornada se desloca à Luz, torna-se fundamental para o Sporting conseguir os 3 pontos na receção ao penúltimo Vitória de Setúbal, nesta terça feira, tirando eventualmente partido da difícil deslocação do Braga a Tondela (no dia anterior), uma vez que os beirões estão igualmente com a corda no pescoço, como o Vitória de Setúbal.

Lembre-se que Vitória de Setúbal, Tondela e Portimonense têm todos 30 pontos, menos 1 do que o Belenenses SAD, mas são os sadinos que estão na zona de descida, devido aos piores resultados nos confrontos diretos.

Dado relevante é que se o Sporting vencer em casa os vitorianos e o Braga não ganhar em Tondela, os leões asseguram imediatamente o terceiro lugar e a presença direta na fase de grupos da Liga Europa.

Com Amorim, o Sporting venceu os 5 jogos até agora disputados em Alvalade, enquanto o Vitória de Setúbal é simplesmente a pior equipa da retoma, tendo perdido os últimos 6 encontros que disputou, a que junta apenas 2 pontos conquistados (2 empates) nesta segunda fase da liga. E, para agravar este panorama negro, os sadinos não vencem há 14 jogos de campeonato.

Ou seja, só o desespero transformado em resiliência (também pela experiência do novo treinador, Lito Vidigal, nestas andanças), pode impedir o Vitória de perder novamente.

Até porque o clube do Sado tem a história completamente contra si: perdeu em Alvalade nos últimos 8 jogos para o campeonato, com 22 golos sofridos e somente 2 marcados.

PROBABILIDADES NR: 75% SPORTING / 15% EMPATE / 10% V. SETÚBAL

Aves - Benfica (ter., 21 julho, 21.15)
Se dissemos que o Porto começava esta jornada a preparação para a final da Taça de Portugal (a 1 de agosto, sábado, em Coimbra), o mesmo se aplica ao Benfica, uma vez perdido o título mais importante. E com um espetador muito interessado em ver os jogadores em ação, para começar a tomar decisões sobre o futuro do plantel, o recém-contratado treinador para a próxima temporada, Jorge Jesus.

O que mudou perante o V. Guimarães
Perante o Vitória minhoto, o Benfica venceu porque conseguiu impedir que lhe acontecessem alguns percalços que estiveram na base da perda do campeonato:

- Embora não tenha entrado bem e o Vitória de Guimarães usufruísse das primeiras ocasiões (com Vlachodimos a salvar mais uma vez a equipa), o Benfica voltou a não sofrer golos: algo que já não sucedia desde o empate a zero com o Tondela, na primeira jornada da retoma.

Recorde-se que nos 6 jogos seguintes o Benfica sofreu 11 golos (à média de quase 2 por jogo). Ora uma equipa que sofrera 14 golos em 25 jogos e depois permite 11 em apenas 6 partidas, comete um autêntico suicídio desportivo...

- O Benfica soube, desta vez, impedir que a segunda parte fosse fatal, como aconteceu amiúde recentemente: em Portimão, em casa com o Santa Clara, no Funchal e em Famalicão.

Mas este triunfo sobre o Vitória minhoto não deixou de ter também um gosto um pouco amargo, nomeadamente por se perceber que um jogador como Florentino, que já não jogava para o campeonato (por opção técnica) desde 9 de novembro, na jornada 11, podia ter sido importante para evitar o descalabro...

Em casa do único condenado
A visita ao Aves será um jogo para cumprir calendário - mas também para Jesus ver e para o plantel e a atual equipa técnica prepararem a final da Taça -, uma vez que as duas equipas têm a sua classificação totalmente definida no campeonato.

As grandes curiosidades estão centradas nas apostas de Nelson Veríssimo, nomeadamente no que diz respeito a Florentino (ou Weigl), Gabriel (ou Taarabt, que já recuperado), Vinicius (ou Seferovic, que voltou a marcar frente ao V. Guimarães). E claro, para perceber se as apostas Chiquinho e Cervi são para manter, em detrimento de Rafa, que parece ter perdido espaço com Veríssimo.

Quanto ao Aves, já despromovido há várias jornadas, vive tempos muito conturbados, tendo mesmo perdido vários jogadores que rescindiram devido a ordenados em atraso. Isto, com certeza, não ajudará nada em termos desportivos. mas há que lembrar que o Aves impôs empate surpreendente ao Porto, já na retoma, e venceu em casa o Vitória de Setúbal há 2 jornadas, tendo ainda no curriculum dos poucos triunfos desta temporada a vitória caseira perante o Braga.

Nos últimos 3 anos, o Benfica tem ganho sempre nas visitas às Aves - aliás, para o campeonato os encarnados venceram 4 das 5 partidas jogadas em casa deste adversário.