"No momento em que soube que estava grávida, foi um choque e a minha vida mudou"

"No momento em que soube que estava grávida, foi um choque e a minha vida mudou"
Redação com Lusa

Suzane Pires garante estar melhor no regresso à seleção feminina após ser mãe.

A avançada Suzane Pires está de regresso à seleção de futebol feminino, depois de uma prolongada ausência motivada por ter sido mãe, e garantiu estar fisicamente igual e emocionalmente mais forte para ajudar Portugal a chegar ao Mundial'2023.

"Sinto-me muito bem: fisicamente como antes e melhor a nível emocional, porque tenho uma motivação a mais para dar o meu melhor e para fazer valer a pena", afirmou a jogadora luso-brasileira, realçando que, depois de ver o filho completar dois anos, começou por fazer muito trabalho físico e de adaptação ao contacto com bola e à intensidade em jogo.

Com 29 anos, a jogadora do clube brasileiro Ferroviária é a única mãe entre as eleitas do selecionador Francisco Neto para a dupla jornada fora de portas com Turquia e Israel, que marca o arranque da fase de apuramento para o Campeonato do Mundo que se irá disputar na Austrália e Nova Zelândia.

"Eu acho que muitas meninas pensam "Eu não quero engravidar, porque depois não consigo voltar". A verdade é que eu sinto o meu corpo como antes, senão melhor. É a energia que eu sinto que tenho, a motivação... É uma coisa que, com certeza, dá. Todo o mundo pode colocar na cabeça que dá para ser mãe e voltar a jogar a alto nível", reafirmou.

No entanto, Suzane Pires reconheceu que também passou por alguns momentos de dúvida, em que "a melhor coisa que aconteceu na vida" poderia significar também o fim da carreira.

"No momento em que eu soube que estava grávida, foi um choque e a minha vida mudou completamente. Não é um trabalho que você pode continuar trabalhando até ao oitavo mês de gravidez, mas depois fui vendo que era a melhor coisa que tinha acontecido. No começo, não sabia se eu ia voltar a jogar ou não, mas quando ele fez dois anos de idade e já estava mais independente, decidi que era o momento de voltar", contou.

Sem esconder o "sonho que falta na carreira" de disputar um Campeonato do Mundo, Suzane Pires lembrou que neste início da fase de qualificação, diante de turcas e israelitas, "não há equipas fáceis" e que Portugal terá de "trabalhar muito para ter um bom jogo e conseguir sair com um resultado positivo" no Grupo H, onde figuram ainda as seleções da Alemanha, da Bulgária e da Sérvia.

Com a paragem na carreira devido à maternidade, Suzane Pires acabou por não jogar no Marítimo e regressou ao Brasil, onde assumiu ter encontrado um surpreendente contraste com o futebol que se pratica em solo brasileiro e o futebol europeu.

"Jogar no Brasil tem sido um pouco diferente para mim porque, por incrível que pareça, lá o jogo está mais direto, então, aqui em Portugal e na seleção, o jogo é mais de toque curto, mais rápido e com mais intensidade", observou, concluindo com a sua satisfação por ver que "o futebol feminino tem evoluído muito, tanto lá no Brasil, como aqui" em Portugal.

A seleção comandada por Francisco Neto ruma na manhã de terça-feira a Alanya e tem treino agendado para as 19h00 locais no campo da unidade hoteleira reservada para o estágio.

O encontro entre Portugal e Turquia, a contar para a primeira jornada do Grupo H de apuramento para o Mundial'2023, está marcado para quinta-feira, às 19h00 locais (17h00 em Lisboa).