"Não tínhamos guarda-redes e eu aceitei alinhar na posição. Encontrei o meu lugar"

"Não tínhamos guarda-redes e eu aceitei alinhar na posição. Encontrei o meu lugar"
Filipa Mesquita

Ana Rita Oliveira é guarda-redes do Amora, equipa da Zona Sul, que ocupa o quarto lugar na Liga BPI. Com passagens por vários clubes, a guardiã acredita que agora está no caminho certo para o sucesso.

Este arranque de temporada foi de loucos para Ana Rita que, depois do Famalicão e da Ovarense, encontrou espaço no Amora, equipa de Setúbal. A guarda-redes, de 22 anos, contou a O JOGO como começou e onde ambiciona chegar.

Em que altura surgiu a paixão pelo futebol?

-Desde muito pequena, tinha apenas seis anos e já jogava futebol na escola com os meus amigos. Depois, surgiu a hipótese de me inscrever nos Emilianos e comecei a jogar com os rapazes. O facto de não haver equipas femininas em fases mais precoces tem essa condicionante.

Atualmente é guarda-redes. Jogou sempre nessa posição?

-Quando comecei nos Emilianos, jogava a ponta de lança, mas passado alguns anos, quando fui para o futebol feminino, num jogo-treino não tínhamos guarda-redes e eu aceitei alinhar nessa posição. A partir daí, descobri o meu lugar em campo.

Um dos clubes por onde passou foi o Braga. Nessa altura acreditava que ia ter mais oportunidades?

-Quando estava no Braga acreditava muito nisso, mas chegou a um ponto em que queria jogar mais, e então optei por sair. Quando o fiz, tive oportunidade de terminar a época no Vilaverdense. Mas, agradeço à formação do Braga por me ter permitido fazer o que mais gostava a tempo inteiro e pela aprendizagem que tive.

O ano passado esteve no Famalicão, na época em que a equipa se estreou na modalidade. Como foi essa experiência?

-No Famalicão, foi um ano para aprender e evoluir. Foi uma época excelente, com uma equipa fantástica.

Esta época, ambicionava ficar em Famalicão?

-Sim, sempre pensei que iria continuar no Famalicão. Mas precisava e queria jogar mais e essa incompatibilidade fez-me sair da equipa.

Seguiu-se a Ovarense, mas rapidamente mudou para o Amora. O que aconteceu para essa mudança num curto espaço de tempo?

-A Ovarense aceitou-me de braços abertos numa altura difícil, em que quase todas as equipas já tinham os plantéis fechados. No tempo em que estive em Ovar, dei tudo de mim. No entanto, já com o campeonato a decorrer, surgiu a proposta do Amora. Decidi aceitar, pela evolução do clube e pela aposta que têm feito. Além disso, também despertou o meu interesse o facto de jogar numa série muito competitiva, que me pode ajudar a evoluir.

Como tem sido a adaptação no Amora?

-Adaptei-me bem, a equipa recebeu-me bem, fizeram-me sentir em casa. A experiência tem sido incrível. É uma equipa fantástica, com que me identifico, e que está preparada para lutar e atingir objetivos. O mais difícil é estar longe de casa. As saudades são muitas.

A época ainda está no início, mas que objetivos tem traçados?

-Como objetivos individuais quero atingir a Seleção Nacional e conseguir contrato profissional. Em termos coletivos, tenho como objetivo ajudar a equipa a passar à fase de campeão e chegar o mais longe possível na Taça de Portugal.

O fim-de-semana passado não jogaram devido à situação na Madeira. Que repercussões podem ter estas paragens?

-Treinamos durante a semana com intensidade e depois quebram esse ritmo com estas paragens, mas são obstáculos que temos se saber ultrapassar e continuar a trabalhar da mesma forma.