Leah Williamson, a capitã da Inglaterra que jogou numa equipa só de rapazes e que sonhava ser como Kelly Smith

Leah Williamson, a capitã da Inglaterra que jogou numa equipa só de rapazes e que sonhava ser como Kelly Smith

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Miguel Laezza

Conheça um pouco da biografia futebolística da jogadora que levantou o troféu mais relevante da história do futebol feminino inglês.

No passado domingo, dia 31 de julho, Leah Cathrine Williamson ajudou a seleção inglesa de futebol feminino a sagrar-se campeã da Europa pela primeira vez na sua história. Perante um Estádio de Wembley que bateu o recorde de assistência em finais da competição continental, quer na categoria feminina, quer na masculina (87192 espetadores), a capitã das Lionesses teve o privilégio de levantar o tão desejado troféu e dar início à festa. Mas vamos recuar no tempo para conhecer um pouco da biografia futebolística da defesa central de 25 anos.

Nascida a 29 de março de 1997, em Milton Keynes (cidade que foi fundada em 1967, geograficamente, a meio do eixo Londres - Birmingham), Leah começou, desde muito cedo, a mostrar a sua ilimitada paixão pelo desporto-rei. Aos seis anos, a sua mãe levou-a a um teste no Bletchley Scot Youth, clube local. Durante uma época inteira, Leah foi a única rapariga numa equipa de rapazes e tornou-se a ponta de lança mais importante do grupo. "Lembro-me de ter sido a única rapariga a comparecer ao teste. A minha mãe já conhecia o treinador e, por esse motivo, ele era uma figura bastante familiar. Eu estava muito nervosa nesse dia. Joguei lá apenas um ano, mas foi ótimo, sobretudo porque o Mason, que era o meu melhor amigo, também jogava pela equipa", relembrou Leah.

No entanto, nem tudo era "um mar de rosas". "Nessa altura, não era fácil para uma rapariga jogar futebol. És o elemento estranho. Quando somos mais novos, sentimo-nos um pouco intimidados e, às vezes, o ambiente até fica um pouco desagradável. Não poderia ter entrado numa equipa de raparigas nessa idade, uma vez que não havia assim tantas por perto. Felizmente, já não é assim. Porém, a minha equipa era incrível, os rapazes eram todos fantásticos. A ideia de que uma rapariga pudesse ser melhor que um rapaz naquela idade talvez não fosse aceite tão prontamente pelas equipas. Todas as semanas, ouvia gritos vindos das bancadas de "apanha a rapariga" ou outras coisas parvas, mas acabo por compreender porque isso era a norma social. As coisas precisavam de mudar e as pessoas tinham de começar a ter uma perspetiva diferente", prosseguiu.

Dean McBroom foi o primeiro técnico que orientou a jogadora e Leah assume que o treinador teve um papel crucial no seu percurso no mundo do futebol. "Estou sempre a dizer que, se não tivesse sido por ele, a experiência que me passou e o quão confortável me fez sentir, quem sabe se eu tinha continuado a jogar futebol".

Depois de ter representado o Rushden & Diamonds, a jovem Williamson mudou-se para o Arsenal aos nove anos e, desde então, não vestiu a camisola de outro clube. E foi precisamente nos "gunners" que conheceu aquela que viria a ser o seu ídolo de infância, Kelly Smith. A ex-futebolista, que conquistou a Liga dos Campeões pelo conjunto londrino em 2006/07, era a capitã da Inglaterra e Leah, além de querer tornar-se jogadora profissional, também ambicionava envergar a braçadeira de capitã da seleção inglesa. Numa foto daquela época, em que ambas aparecem juntas, Kelly Smith escreveu o seguinte: "Sonha em grande!!!". E Leah sonhou e conseguiu concretizar as metas que tinha traçado.

A atuar por todos os escalões da Inglaterra desde os sub-15, Williamson venceu o Campeonato da Europa enquanto capitã da sua seleção, integrou o onze ideal da 13ª edição da competição e, ao longo de toda a carreira, contou sempre com o apoio incondicional da família. "Tive muita sorte. Os meus pais nunca deixaram de me apoiar. A minha mãe costumava jogar futebol quando era mais nova e, como tal, obviamente, adorava que eu também jogasse. Já o meu pai também ficava muito entusiasmado por me ver jogar. Eles estiveram sempre presentes. Até hoje, os meus avós não perderam um encontro", confessou.

Apesar de reconhecer que o desporto traz algumas limitações à vida social dos atletas, Leah Williamson, que soma 30 internacionalizações A pela Inglaterra (mais três pela Grã-Bretanha nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que se realizaram em 2021) e dois golos, não troca o futebol por nada. "O futebol é a minha vida, tenho de o valorizar porque é o meu trabalho. Há muitas coisas que não posso fazer devido a ser atleta, mas acordar todos os dias e fazer aquilo que se ama, na companhia dos nossos colegas, é realmente especial".

Sem quaisquer dúvidas, por tudo aquilo que já fez, ​​​​​​​LW transformou-se (também ela) numa referência para as gerações presentes e futuras do futebol feminino inglês e até mundial.