Francisca Cardoso comenta teto salarial: "Não faz sentido"

Francisca Cardoso comenta teto salarial: "Não faz sentido"
Miguel Gouveia Pereira

Francisca Cardoso acredita que num campeonato não profissional, a medida não tem fundamento e crê que a maioria das equipas femininas vão ter um aperto financeiro quando a competição regressar

A definição de um teto salarial para o futebol feminino por parte da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) deixou várias jogadoras insatisfeitas e foi mesmo criado o movimento "Futebol sem Género".

Para Francisca Cardoso, internacional portuguesa que recentemente assinou pelo Heerenveen (Holanda), esta é uma medida que "não faz sentido num campeonato não profissional". "Um teto salarial à volta dos 550 mil euros, mas isso é para quem? Ainda por cima, estão a definir um teto salarial sem definir um mínimo, sendo que há jogadoras que nem recebem ordenado, apenas ajudas de custo", referiu a avançada, de 22 anos, em conversa com O JOGO.


A jogadora, que nos últimos três anos representou o Braga, considera que "esta medida por si só não vai mudar grande coisa e que se pode estar a definir algo apenas para clubes que o conseguem ultrapassar este valor passarem mais dinheiro por baixo da mesa".


Chica Cardoso gostava que fosse definido "um salário ou apoio mínimo" para as jogadoras, mas sabe que a medida é difícil de implementar. "Nem todas as equipas conseguiriam dar um vencimento durante toda a época, para isso acontecer o campeonato tinha de ser profissional.

Temos noção que o feminino não gera tantas receitas como o masculino, mas também está relacionado com uma questão mentalidade", analisou, receando que o futebol feminino possa sofrer um abalo por causa da pandemia da Covid-19: "Vai depender se os clubes mantêm ou não os patrocínios, que não são importantes apenas do ponto de vista financeiro. Os apoios ajudam também com um lanche depois do jogo e os transportes. Creio que todos os clubes vão sofrer um aperto, mas espero que consigamos ter um campeonato competitivo."