Edite Fernandes tem novo desafio no Futebol Benfica

Edite Fernandes tem novo desafio no Futebol Benfica
Paulo Nunes Teixeira

A avançada continuará a jogar na próxima época e integrará a estrutura para o futebol feminino, além de ficar com a orientação técnica da academia que o histórico clube lisboeta vai criar.

Nome histórico do futebol feminino nacional, Edite Fernandes prepara-se para um novo desafio. Aos 40 anos, a avançada do Futebol Benfica terá um papel essencial na futura academia do emblema lisboeta. "O Clube Futebol Benfica quer abrir a academia de futebol feminino sob a minha orientação técnica e com base na minha experiência, queremos ampliar a oferta do clube, em termos de futebol feminino. De momento, estamos a fazer captações nos sub-19, sub-17, sub-15 e sub-13 e queremos rapidamente abrir para escalões a partir dos 6 anos", explica Edite a O JOGO.

Melhor marcadora da Seleção Nacional, com 39 golos, a jogadora conta que o projeto está inserido numa estratégia de valorização do futebol feminino do clube, que já foi bicampeão nacional. "O objetivo é aumentar a competitividade em todos os escalões e fazer chegar a modalidade ao máximo de meninas que a queiram experimentar, contando para isso com a minha experiência e de uma vasta equipa técnica com credenciais dadas no futebol feminino e ex-jogadoras de referência nacional", destaca.

A experiente avançada fala ainda com entusiasmo do projeto de modernização em perspetiva, com a construção das novas instalações, cujas obras vão começar no final do verão e durar um ano. A edificação de um pavilhão com capacidade para 1000 espetadores e vários ginásios está prevista.

Um ano de transição

Além de continuar mais uma época como jogadora, pois renovou contrato com a equipa orientada por Madalena Gala, Edite passará também a fazer parte da direção técnica do clube para o futebol feminino, dando apoio igualmente à restante direção do Fofó.

Tendo em conta as novas funções, Edite considera que o próximo ano será de "transição". "Vou fazer mais um ano como jogadora e estarei focada naquilo que são os objetivos da equipa. Em relação à carreira de treinadora, é algo que não pensei sobre isso, mas quero, futuramente, trabalhar na minha formação", diz.

Nesta fase, o Fofó já voltou aos treinos e Edite explica que tudo tem decorrido "dentro de todas as regras de segurança". "Obviamente estamos felizes por voltarmos a pisar o campo e ter contacto com a bola. Já tínhamos saudades", refere.

Alargamento visto com ceticismo

Expectante sobre uma futura decisão federativa em relação ao teto salarial, Edite mostra-se cética sobre o alargamento do principal campeonato a 20 equipas. "Não acho que tenha sido a melhor solução. No entanto, teremos de aceitar essa decisão. Com tantos anos de futebol, só vivi um campeonato assim há 20 anos. Com todo o trabalho, e bom, que a federação fez no futebol feminino durante estes anos, para chegarmos a uma liga com 12 equipas, deixa-me a pensar que se calhar retrocedemos. Há três meses falava-se de uma liga com 10 clubes para os próximos dois anos e de repente passámos para o dobro com duas séries. De qualquer das formas, aquilo em que acredito é que possamos continuar a crescer e a evoluir e o mais importante é dar continuidade a esse processo de desenvolvimento do futebol feminino em Portugal", analisa.