Um balão de oxigénio para o Racing Power: "Acreditámos muito no trabalho"

Catarina Realista
Bruno Marreiro
Catarina Realista garante que a equipa nunca se perdeu, mesmo quando os resultados não apareciam. Quatro meses depois, o Racing Power voltou a ganhar, e conseguiu-o fora de casa, num triunfo sofrido frente ao Vitória. A médio de 30 anos explica o que mudou e sublinha resiliência.
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Depois de quatro meses sem conhecer o sabor da vitória, o Racing Power reencontrou o caminho dos triunfos no terreno do Vitória, vencendo por 1-0. O último sucesso remontava a 16 de novembro, pelo que a equipa setubalense vivia um período de transição e incerteza. Catarina Realista, médio de 30 anos, uma das vozes mais experientes do balneário, faz a radiografia ao momento, analisa a época e aponta o rumo até ao final da temporada.
Não triunfar desde novembro cria inevitavelmente ruído à volta da equipa. O que sentiu que mudou, internamente, para que o Racing Power voltasse a ganhar?
-Foram vários fatores. Mudámos de treinador no início do ano e isso trouxe um processo de adaptação natural. Entraram novas ideias, novas exigências, uma forma diferente de olhar para o jogo. Tudo isso leva tempo a consolidar. Acreditámos muito no trabalho que estava a ser desenvolvido, mas nem sempre os resultados aparecem de imediato. Houve um grande compromisso da equipa técnica e das jogadoras para ajustar detalhes e manter a união. Esta vitória acaba por refletir essa persistência.
Num jogo tão equilibrado, onde esteve a verdadeira chave para sair de Guimarães com os três pontos?
-No espírito coletivo. Fomos uma equipa muito solidária, muito comprometida com o plano de jogo. Houve entreajuda constante, capacidade de sofrer quando foi preciso e, acima de tudo, uma enorme vontade de vencer. Trabalhámos muito durante a semana e isso notou-se em campo.
Pela forma como foi conquistada - fora de casa, pela margem mínima - esta vitória teve um sabor especial?
-Teve o sabor de um objetivo cumprido. Foi um jogo bem conseguido da nossa parte. Mas, no final, contam três pontos. São importantes, claro, mas não mudam o nosso foco: já estamos a pensar no próximo desafio e na forma de voltar a ganhar.
Esta época tem sido marcada por mudanças técnicas e alguma instabilidade. Que balanço faz do percurso até aqui?
-Tem sido uma temporada exigente. Tivemos três treinadores com perfis muito diferentes e isso obrigou-nos a adaptações constantes. Cada mudança traz novas ideias e novas dinâmicas, e isso nem sempre é fácil de gerir. Houve momentos complicados, mas também de grande crescimento. A equipa foi obrigada a sair da zona de conforto e isso acabou por fortalecer o grupo.
Sente que este resultado pode representar um ponto de viragem emocional e competitivo?
-Pode ser um impulso importante. Uma vitória traz confiança e dá-nos energia para continuar a lutar. O nosso objetivo sempre foi vencer todos os jogos, independentemente do contexto. Sabemos que não é fácil, mas vamos trabalhar para que esta vitória seja o início de uma fase mais consistente.
O que será determinante para dar continuidade a este momento positivo?
-Manter a crença no trabalho diário e não baixar os níveis de exigência. Precisamos de continuar focadas, competitivas e comprometidas até ao último minuto de cada jogo.
A equipa acredita que pode agora embalar numa série de resultados positivos?
-Sem dúvida. Trabalhamos diariamente com essa ambição. Sabemos que a consistência é fundamental e queremos encarar cada jogo como uma final. Vamos passo a passo, mas sempre com a ambição de somar três pontos.
Como avalia esta edição da Liga BPI, que parece cada vez mais equilibrada?
-Está muito competitiva. Basta olhar para a classificação para perceber que qualquer equipa pode tirar pontos a outra. Não há jogos fáceis. O nível de exigência é alto e a concentração tem de ser máxima, porque o mais pequeno erro pode fazer a diferença.
A subida ao sétimo lugar traz algum conforto ou a margem pontual ainda não permite relaxar?
-A tabela está muito curta e tudo pode mudar rapidamente. Não podemos olhar demasiado para a classificação. O mais importante é focarmo-nos no nosso trabalho e no que controlamos. Dependemos de nós para alcançar os nossos objetivos.
Como se gere essa pressão de estar envolvida na luta por posições mais tranquilas?
-Temos de direcionar o foco para cima e não para baixo. Se estivermos concentradas em melhorar o nosso desempenho e em ganhar jogos, a classificação acabará por refletir isso. A pressão faz parte, mas encaramo-la como responsabilidade. A ambição é ganhar todos os jogos. Pensamos sempre a curto prazo, jogo a jogo. Neste momento, toda a nossa atenção está no próximo adversário, o Damaiense, e na forma de conquistar mais três pontos.
Num balneário que atravessou diferentes fases esta época, que papel assume, enquanto uma das jogadoras mais experientes?
-A experiência traz alguma serenidade nos momentos mais difíceis. Já passei por fases complicadas e isso ajuda-me a olhar para a adversidade com outra maturidade. Procuro transmitir confiança, estabilidade e espírito de união. Quando todas acreditamos e remamos para o mesmo lado, ficamos muito mais próximas de atingir aquilo que queremos.
A força do balneário que sustenta o grupo
Aos 30 anos, Catarina Realista assume estar numa fase de maior maturidade em campo, onde a experiência pesa, sem alterar a essência. "Sendo uma das jogadoras mais experientes do plantel, é normal que haja uma responsabilidade acrescida. Faz parte do processo. Tirando isso, sou a mesma jogadora, com vontade de vencer e de lutar do primeiro ao último minuto", sublinha. Num contexto de época exigente e marcada por alguma inconstância, é no grupo que encontra o maior motivo de satisfação. "Acho que o grupo de jogadoras que temos faz a diferença. Às vezes, quando as coisas correm menos bem, o grupo tende a separar-se, mas aqui é diferente. É um grupo muito saudável e unido. O ambiente entre nós é uma das melhores coisas desta temporada".
