"O futebol também é para as mulheres, já demonstrámos que conseguimos chegar longe"

Avançado, de 23 anos, sente-se orgulhosa por representar o Valadares, clube que quer ajudar a manter na Liga BPI. O objetivo inicial era ficar nos seis primeiros classificados, mas a primeira volta não correu como o desejado. Andreia Freitas tem planos bem definidos, que passam pela Seleção Nacional e por jogar no estrangeiro.
Há seis épocas no Valadares, Andreia Freitas, avançado de 23 anos, mostra-se satisfeita com o percurso percorrido até agora e sente-se evoluir a olhos vistos. Desde pequena que a bola é a sua melhor amiga; não queria nada com as bonecas. Quando os pais repararam que a jovem tinha jeito para o futebol, inscreveram-na no Dragon Force, onde iniciou a carreira desportiva. No futuro, a internacional sub-19 portuguesa ambiciona jogar no estrangeiro e deseja voltar a vestir a camisola da Seleção Nacional.
Representa o Valadares há seis temporadas e já faz parte da "mobília". O que significa o clube para si?
-Sinto-me bem no Valadares. A verdade é que, sempre que entro em campo e carrego este símbolo ao peito, é um motivo de orgulho para mim. A união do grupo, a organização do clube e da estrutura, e a simplicidade das pessoas tornam este emblema diferenciado. Sinto que tenho evoluído e deixo tudo em campo em prol desta instituição.
E foi aqui que teve o ponto mais alto na sua carreira, a chamada à Seleção Nacional.
-Sem dúvida que ir à Seleção sub-19 foi o melhor momento da minha carreira. Tive um sentimento único, um sentimento de orgulho e de concretização de um dos meus grandes sonhos.
Esta época, a equipa está no oitavo lugar da Liga BPI e tem estado abaixo das expectativas. O que se pode esperar do Valadares?
-Na primeira volta do campeonato perdemos muitos pontos importantes da nossa caminhada, mas agora estamos cada vez mais unidas e prontas para recuperar. Queremos colocar o clube no lugar que merece e demonstrar o nosso valor coletivo. Sabemos que temos qualidade e que vamos chegar onde queremos, mais tarde ou mais cedo.
Os objetivos da época mudaram?
-O nosso objetivo sempre foi ficar nos primeiros seis lugares do campeonato, agora o principal foco é manter o Valadares na Liga BPI.
A Andreia investe num plano B e frequenta a licenciatura em Educação Física e Desporto na Universidade da Maia. Conciliar os estudos com o futebol é desafiante?
-Quando tenho aulas de tarde, tento conciliar com os professores um outro horário, pois os treinos no Valadares também são nesse período. Por vezes só vou às frequências das disciplinas. Basicamente, só consigo estudar à noite. De resto, tudo se resume ao futebol.
Falando do seu percurso no futebol, como é que tudo começou?
-O futebol sempre esteve presente na minha vida. Desde pequena que só pegava na bola e deixava as bonecas de lado. A minha família sempre me apoiou em tudo e está sempre presente em todos os momentos.
A nível de mentalidades e condições no futebol feminino, o que tem mudado ao longo do tempo?
-O futebol feminino tem evoluído a cada ano que passa e existe menos preconceito. O futebol também é para as mulheres, já demonstrámos que conseguimos chegar longe se nos deixarem. Neste momento há mais apoio e estruturas no feminino, e é sempre bom sentir que estamos a galgar terreno.
A Seleção tem trilhado o caminho do sucesso e deu um grande passo com o apuramento para o Campeonato do Mundo. Sente que a jogadora portuguesa é mais valorizada no futebol mundial?
-Sim, tem sido muito mais valorizada, mas todos sabemos que ainda existe um longo caminho para percorrer.
Que antevisão faz à participação de Portugal no Mundial?
-Acho que, acima de tudo, a nossa Seleção nos vai deixar orgulhosos na maior competição de seleções do mundo.
Voltar a vestir a camisola da Seleção Nacional é um dos grandes objetivos da Andreia?
-Sem dúvida, chegar à Seleção principal é um dos meus grandes sonhos. Trabalho muito para conseguir chegar mais longe no futebol e também tenho o grande desejo de jogar no estrangeiro.
Toques "maravilhosos" de Messi são estímulo para a avançado
Lionel Messi é um ídolo, para jogadores, treinadores, adeptos e, também, para a nossa entrevistada. "O Messi é a minha maior referência no futebol. Encanta-me e motiva-me. Gosto da maneira como ele joga, do toque de bola e da forma como consegue driblar os adversários, com toques simples mas maravilhosos", conta a avançado do Valadares a O JOGO sobre a sua maior referência no futebol. Os feitos do camisola 10 argentino, de 35 anos, vencedor do Campeonato do Mundo de 2022 e recordista da Bola de Ouro, com sete troféus conquistados, continua a embalar os sonhos de milhões de jovens pelo mundo fora e Andreia Freitas está incluída nessa lista.
