
Inês Gonçalves
Inês Gonçalves é das mais utilizadas do Racing Power e fala de uma equipa que quer chegar a novo patamar. A avançado de 24 anos atravessa um bom momento de forma, ainda a adaptar-se a novas funções. A O JOGO, a internacional jovem lusa fala sobre o crescimento pessoal e coletivo e de um sonho.
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Aos 24 anos, Inês Gonçalves é uma das peças mais fiáveis do Racing Power. A avançado lisboeta, que representa o clube desde 2023, tem sido das mais utilizadas pelo espanhol Yerai Martín e simboliza o percurso do emblema sadino: ávido, competitivo e em fase de consolidação. Formada no Atlético de Reguengos, GD Santo António e Sporting, a internacional jovem portuguesa vive uma das fases mais consistentes da carreira e conta a O JOGO que este é o momento em que mais sente o seu crescimento, a acompanhar o do próprio clube.
O Racing Power é quinto na Liga BPI, como tem a equipa vivido este início de época?
-Tem sido desafiante, com muitas ideias novas para absorver e pouco tempo para as assimilar. Ainda assim, a equipa reagiu de forma muito positiva. Jogo a jogo temos mostrado evolução, consistência e maior entendimento coletivo. Acredito que, com o trabalho diário, os resultados vão refletir cada vez mais aquilo que somos capazes de fazer.
Sente que a equipa está a jogar abaixo do que realmente vale?
-Não concordo totalmente com essa ideia. No primeiro jogo empatámos com o Benfica, uma das equipas mais fortes da liga, e isso demonstrou logo a nossa capacidade competitiva. Além disso, a equipa recebeu dois prémios seguidos para a melhor jogadora em campo, o que mostra que houve qualidade individual e coletiva desde o início. Claro que ainda temos margem para crescer, mas considero que começámos de forma positiva e estamos no caminho certo.
Somam três empates em cinco jornadas. É um sinal de estabilidade ou um travão na ambição?
-O empate deixa sempre um sabor agridoce, porque sentimos que em vários jogos estivemos perto da vitória. Mas também mostra que, quando não conseguimos ganhar, conseguimos somar. O importante é continuar a crescer e transformar esses empates em vitórias.
Em cinco jornadas têm apenas três golos marcados e três sofridos. Sente que o equilíbrio defensivo tem sido um dos pontos fortes ou ainda falta atrevimento ofensivo?
-Defensivamente temos estado muito bem, o que é essencial para quem quer ser competitivo. Ofensivamente, temos trabalhado bastante para criar mais oportunidades e definir melhor as jogadas no último terço. Estamos a ganhar automatismos e a perceber melhor as dinâmicas pretendidas.
É uma das jogadoras mais utilizadas pelo Yerai Martín. Sente que este é o momento em que está mais confiante e madura?
-Sim, sinto que estou numa fase muito positiva. Estou a jogar como ala, uma posição exigente nos dois momentos do jogo. Tenho-me focado em ser equilibrada a atacar e a defender.
Ainda não tem números expressivos em golos ou assistências. Isso gera alguma pressão?
-Não sinto pressão. Marcar golos é importante, mas não é tudo. Apesar de ainda não ter muitos números, tenho criado várias ações ofensivas e defensivamente estou muito sólida. Além disso, estou a consolidar-me numa posição relativamente nova, e isso também faz parte do crescimento.
Como é que analisa a sua evolução desde que chegou ao Racing Power?
-Cresci muito. No primeiro ano tive menos minutos, mas serviu para aprender e perceber o nível de exigência. Com o tempo ganhei confiança e consistência. Hoje sinto-me uma jogadora mais madura, consciente do meu papel e do que posso dar à equipa.
Quais são os objetivos pessoais para esta temporada?
-Continuar a crescer, somar minutos, ser cada vez mais influente na equipa. Um dos meus maiores sonhos é chegar à Seleção A, isso motiva-me todos os dias.
O Racing Power já tem condições para dar o salto e lutar por mais?
-Sim. O Racing Power é um projeto ambicioso, com estrutura, qualidade e pessoas que trabalham para estarmos entre as melhores. Sabemos para onde queremos ir e temos essa ambição bem presente.
O futebol feminino está a mudar, o mérito "é mais valorizado"
De discurso ponderado, Inês Gonçalves acredita que o futebol feminino português atravessa um momento de viragem, com o mérito a sobrepor-se a favoritismos e clubismos. "Acho que tem vindo a mudar. Hoje, o mérito é cada vez mais valorizado e começam a surgir mais oportunidades para quem trabalha e mostra qualidade, independentemente do clube. Ainda há caminho a percorrer, mas o futebol feminino está a evoluir e bem", sublinha. A avançada alarga a reflexão à atual edição da Liga BPI, que, diz, espelha essa evolução. "Está a ser, até ao momento, uma prova muito equilibrada e competitiva. Há várias equipas a lutar pelos mesmos objetivos, todos os jogos são intensos e imprevisíveis."
