Francisco Neto: "Seria mais confortável não convidar o Brasil, mas se queremos ser como elas..."

Francisco Neto
FPF
Declarações após o jogo particular de futebol entre as seleções femininas de Portugal e do Brasil (0-5), que decorreu esta terça-feira no Estádio Municipal de Aveiro
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Francisco Neto (selecionador de Portugal): "Faz parte do nosso processo de crescimento. Não fizemos um bom jogo, tivemos dificuldades em vários momentos contra uma das melhores seleções do mundo. Foi uma vitória justa, serviu para retirarmos aprendizagens. Seria mais confortável não convidar o Brasil, ou não ir aos Estados Unidos, mas se queremos ser como elas, temos de nos expor. Não correu como queríamos, mas o crescimento é assim. Daqui a um ano estaremos a festejar o apuramento para o Mundial. Tínhamos uma estratégia clara, mas sentimos muita dificuldade no início, os nossos timings de pressão não foram os mais certos. Quando mudámos para um 5-4-1, o jogo equilibrou mais, passámos a ter números iguais nos corredores. Faltou-nos capacidade para ter bola, o Brasil é das poucas equipas que tem capacidade para fazer marcação homem a homem no campo inteiro. Ainda me lembro quando jogávamos com 300 pessoas nas bancadas, felizmente agora já não é assim. Gostávamos de ter dado um espetáculo melhor. Este foi muito difícil para nós, jogámos contra as melhores seleções do mundo, mas sentimos sempre um carinho muito grande e acho que é o reconhecimento pelo que a seleção tem vindo a fazer pelo futebol feminino e pelo papel da mulher na sociedade. Queremos que as meninas nas bancadas queiram ser jogadoras e saibam quem é a Raquel do Torreense quando a virem na televisão e vejam a Liga".
Raquel Ferreira (jogadora de Portugal): "Estou muito feliz pela minha estreia, foi o culminar de um sonho. Claro que queria outro resultado, mas é um voto de confiança e vai ser um lindo dia para contar às minhas colegas. Foi uma semana de sonho poder conviver com jogadoras tão experientes".
Arhur Elias (selecionador do Brasil): "Balanço extremamente positivo. Este ano foi mais consistente, temos uma identidade cada vez mais forte e foi bom acabar o ano com alegria. Temos um grupo muito unido, mas nem sempre vamos vencer. As jogadoras deram ótima resposta. Queremos que a seleção faça mais golos e empurre o adversário para baixo, que era algo que estava a faltar ao Brasil. Queremos impor o nosso jogo desde início e temos confiança para mudar o sistema tático, o que nos dá vantagem. Não estamos prontos para o Mundial porque vamos ser melhores até lá. Temos de controlar a ansiedade porque ainda falta muito e eu nunca estou satisfeito".
Tarciane (jogadora do Brasil): "Quando fui para o Corinthians saltei uma etapa, nem eu imaginava chegar tão rápido à seleção. Jogar aqui é quando fico mais feliz, parece sempre a primeira vez. A equipa técnica dá-nos tudo de mão beijada, nós só temos de jogar. É muito bom ser referência, procuro isso todos os dias e também procuro sempre aprender cada vez mais. Todas sonhamos muito em jogar o Campeonato do Mundo e estes particulares servem para nos prepararmos. Tenho a certeza que se começasse amanhã já estávamos todas preparadas".

