
Rita Melo
D.R.
Rita Melo, médio de 18 anos, é produto da formação do Braga e tem vindo a ganhar espaço na equipa principal. Com dez partidas e dois golos na Liga BPI esta época, a internacional jovem portuguesa assume a O JOGO a gratidão ao clube e aborda o processo de adaptação ao futebol sénior.
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Ainda com chupeta, já corria atrás de uma bola nos intervalos dos jogos do irmão. Hoje, aos 18 anos, Rita Melo afirma-se como uma das jovens caras do futuro do futebol feminino português. Médio do Braga, onde cresceu e se formou, soma já minutos, golos e responsabilidade numa Liga BPI cada vez mais exigente. Internacional jovem por Portugal em mais de 50 ocasiões, tem feito o percurso passo a passo, dividindo-se entre diferentes escalões, mas sempre com a mesma naturalidade com que começou: a jogar por gosto. Em conversa com O JOGO, Rita fala sobre o crescimento no emblema minhoto, a adaptação ao futebol sénior e a ambição de continuar a galgar caminho.
A sua história no futebol começou muito cedo. Como nasceu essa ligação ao jogo?
-Desde muito pequena - ainda andava com chupeta - ia ver os jogos do meu irmão, o Manel, e, nos intervalos, aproveitava para ir para o campo jogar. Depois comecei a jogar na escola primária com os meus colegas. Mais tarde entrei para o CLIP, onde estive oito anos a jogar com rapazes, até aos 15. Nunca houve um momento exato em que pensei "vou levar isto a sério". Sempre vi o futebol como algo que me dá prazer e diversão, embora tenha começado a ganhar outra dimensão quando cheguei às seleções nacionais e ao Braga.
E foi já no Braga que esse sonho começou a ganhar forma. O que mudou nestas três temporadas no clube?
-O Braga dá-nos excelentes condições e nós tentamos retribuir dentro de campo, com títulos. No ano passado fomos campeãs nacionais de sub-19 e, este ano, queremos voltar a lutar por isso. Nestes três anos, um dos momentos mais marcantes foi a inauguração do Estádio Amélia Morais, que é um enorme orgulho para todas nós. Mas também senti evolução noutras áreas menos visíveis: melhores condições nos jogos fora, mais apoio logístico, mais trabalho de ginásio... tudo isso contribui para o nosso crescimento.
E essa evolução acabou por levá-la à equipa principal.
-Foi um processo muito bem gerido pelo clube. Já no ano passado treinava várias vezes com a equipa principal e fui sempre muito bem acolhida, por isso acabou por acontecer de forma natural. Claro que há diferenças - no ritmo, na intensidade, na exigência -, mas, dentro do grupo, senti-me sempre confortável, e isso facilita muito a adaptação.
Apesar da idade, já soma muitos minutos, golos e assistências esta época na Liga BPI. Surpreendeu-a este impacto tão cedo?
-Sinceramente, ainda não sinto que tenha um grande impacto. Estou focada em ajudar ao máximo o clube e as equipas onde jogo, enquanto continuo a evoluir e a aprender.
Ainda assim, vai dividindo o seu tempo entre a equipa principal, equipa B e sub-19. Como lida com essa realidade?
-Não encaro isso como uma exigência. Eu só quero jogar e dar o meu melhor em cada oportunidade, seja em que equipa for.
Essa experiência em diferentes contextos também a obriga a adaptar o seu jogo. O que tem retirado daí?
-Há uma coisa comum a todas as equipas do Braga: entramos sempre para vencer, e sinto sempre essa responsabilidade. Depois, consoante a equipa, jogo no meio-campo, mas com funções diferentes. Isso obriga-me a adaptar-me constantemente e a enfrentar novos desafios dentro do jogo, o que acredito que me faz crescer.
E quando olha para o salto da formação para o futebol sénior, que diferenças sente mais?
-Há sempre diferenças, sobretudo pela maturidade e experiência das jogadoras. Mas destacaria o nível físico, a intensidade dos duelos ea necessidade de pensar mais rápido para não ser antecipada.
Essa exigência acaba por acelerar também a evolução?
-Acho que estou a compreender melhor os momentos do jogo e a gerir melhor as minhas decisões e o jogo da equipa. Além disso, com o ritmo mais alto, tive de me adaptar a pensar e decidir mais rápido.
Sendo apontada como uma das maiores promessas do futebol feminino português, sente algum tipo de pressão?
-Não sinto muito isso. No futebol tudo muda muito rápido, tanto para o bom como para o mau. Por isso, foco-me em evoluir, dar o meu melhor e, acima de tudo, divertir-me.
Que objetivos traça para esta época?
-Os meus principais objetivos são aqueles que dependem diretamente de mim, como rematar com mais espontaneidade ou melhorar no box-to-box. Depois, claro, quero ajudar a equipa a atingir os seus objetivos e evoluir naquilo que o treinador me pede. Mas não escondo que gostava de jogar com regularidade na Liga BPI e voltar a ser chamada à seleção sub-19 de Portugal.
Ambição em todas as frentes
O crescimento do futebol feminino do Braga tem sido consistente e cada vez mais evidente, dentro e fora de campo. Para Rita Melo, o clube minhoto já atingiu um nível elevado, sobretudo ao nível da formação, mas continua num percurso claro de evolução. "Sinto que estamos a fazer o nosso caminho. Este ano já jogaram pela equipa principal cerca de oito jogadoras formadas no clube", destaca.
Mais do que um projeto de futuro, o clube afirma-se também no presente. A ambição passa por competir ao mais alto nível em todas as frentes. "Somos o Braga, temos condições extraordinárias e entramos sempre em campo com o objetivo de vencer", sublinha. Na equipa principal, os objetivos estão bem definidos: lutar pelos lugares europeus e garantir presença na final da Taça de Portugal. Em paralelo, nos sub-19, a exigência mantém-se elevada, com a defesa do título nacional como prioridade.
