
mbarcou numa aventura no Chipre e já ergueu três troféus. O sonho é fazer parte das melhores.
Uma jogadora de futebol tem que ultrapassar barreiras e, ainda hoje, driblar um adversário teimoso: o preconceito. Nomes como Beatriz Fonseca servem de exemplo para muitas mulheres que sonham seguir por este caminho. No início da temporada, a portuguesa de 23 anos deixou o Estoril e fez as malas para abraçar uma aventura internacional. A avançado rumou a Chipre para vestir a camisola do Apollon Ladies e a história está a ser escrita. A pisar pela primeira vez terras cipriotas, Beatriz já colecionou três troféus, disputou a Liga dos Campeões feminina e evidencia-se como uma jogadora a ter em conta. Dá nas vistas pela raça e velocidade, prometendo andar pelas bocas do mundo do futebol feminino.
A Beatriz exibia-se ao mais alto nível com a camisola do Estoril e apresentava-se como uma das jogadoras mais promissoras do futebol feminino português. Entende que a mudança para Chipre foi precoce ou necessitava de uma experiência fora do seu país?
-Recebi a proposta e pensei: porque não? Foi uma decisão acertada. Acho que são estes desafios que, ao sairmos da nossa zona de conforto, nos fazem crescer e ganhar maturidade, tanto para a nossa formação pessoal como profissional. Decidi arriscar e correu bem. Sempre fui muito aventureira e o meu agente ajudou-me na mudança.
A verdade é que tem colocado o seu nome entre as melhores do país e já ergueu três troféus. Estava à espera de ter sucesso imediato?
-Não me passava pela cabeça. Estou a viver um sonho. Nunca tinha passado por uma experiência destas e pensei que estava a sonhar. Esta época foi, sem dúvida, desafiante. Não só pelo facto de mudar de país, mas também por embarcar noutro tipo de futebol, ou seja, numa liga diferente. A nível coletivo ganhámos tudo o que havia para ganhar (Supertaça, Taça, Campeonato) e também participámos na Champions League. Superou as minhas expectativas e espero continuar a triunfar aqui.
Como correu a adaptação?
-Foi fácil. Tive muita sorte no grupo que vim encontrar, porque acolheram-me mesmo bem e fizeram-me sentir em casa. A estrutura do Apollon é incrível e muito profissional. As pessoas são genuinamente amáveis, o clima é perfeito e o país é mesmo muito bonito. Não consigo apontar nenhum aspeto negativo. Mas, é claro, sinto falta da minha família. A minha maior dor é estar longe deles. Porém, estou a perseguir o meu sonho e sei que eles estão a apoiar-me.
A Beatriz iniciou a carreira ao serviço da Fundação Laura Santos e, mais tarde, deu o salto para o Estoril. Qual foi o emblema que mais a marcou?
-A Fundação Laura Santos foi o meu primeiro amor, foi o clube que me revelou e no qual dei o salto para o futebol feminino. Emocionalmente sentia que éramos mais do que uma equipa de futebol. Todavia, não posso deixar de mencionar que o Estoril foi uma equipa onde vivenciei experiências únicas e outro tipo de oportunidades. Os dois marcaram-me imenso e aprendi bastante nos anos que lá passei.
Sei que, sempre que pode, acompanha a Liga BPI. Qual é a sua opinião acerca do futebol feminino em Portugal?
-Sim. O futebol feminino, desde que me recordo, tem evoluído muito, o que é muito bom para as mulheres, mas a Liga BPI ainda tem um caminho longo a percorrer para igualar ou chegar perto das ligas de alto nível. Em passo lento, Portugal está a caminhar para o sucesso.
A Beatriz é uma das muitas jogadoras portuguesas espalhadas pelo mundo. Sente que as atletas do nosso país são mais valorizadas?
-Sinceramente, acho que não. Há muitas jogadoras que não arriscam sair do país e que precisavam, até para se darem a conhecer e para se mostrarem. É muito bom observar compatriotas a terem sucesso cá fora, contudo, ainda não é suficiente para olharem para nós com outros olhos.
14755907
