Muita atenção ao Sport Lisboa Calabote e Benfica

Muita atenção ao Sport Lisboa Calabote e Benfica

"Não é preciso ter nascido ali para se ser portista o resto da vida"

Mais de meio século depois de Inocêncio Calabote (foi a 22 de março de 1959), é preciso recordá-lo para que a memória se avive e não se esqueça que a arbitragem já fez muitas vezes o Benfica ser campeão. Não há coincidências, esta época ainda não foi marcado um único penálti contra o Benfica, nem nenhum dos seus jogadores recebeu ordem de expulsão e mesmo em matéria de cartões amarelos são os menos castigados.

Devo dizer que esta época já vi os três grandes serem beneficiados com erros dos árbitros, mas o que nunca vi foi o Benfica ser prejudicado por uma arbitragem. Uma só vez que fosse. Já não é preciso recuar muito para lembrar arbitragens que prejudicaram claramente o Futebol Clube do Porto. No Dragão, contra o Arouca, o árbitro anulou um golo limpo ao Porto, minutos antes de eles fazerem o 1-2. Em Braga, o árbitro passou o jogo a apitar contra o FC do Porto, marcando faltas contra nós quando eram a nosso favor.

Não estando a jogar bem, não podemos fazer de conta que não vemos o que se está a passar e que não percebemos por que é que só o Benfica queria manter Vítor Pereira na presidência do Conselho de Arbitragem. O que melhorou na estrutura do Benfica não foi a criação de uma direção que trata em exclusivo do fair play dos jogadores, reduzindo o número de cartões amarelos e evitando vermelhos e penáltis. O que houve foi uma redução da distância entre o Benfica e os organismos da Federação, com o Conselho de Arbitragem à cabeça. Os edifícios destas instituições não mudaram de sítio, os dirigentes é que se cruzam com mais facilidade.

Poucos significa muito

Com a paragem do campeonato, para que as seleções joguem, o treinador do Futebol Clube do Porto ficou com uma equipa de futebol de cinco. Se tanta gente partiu para as seleções dos seus países, isso só pode querer dizer que o plantel vale mais individualmente do que o que os jogadores têm sido capazes de demonstrar coletivamente. E os cinco que ficaram também têm currículo. Helton, Martins Indi, José Ángel e Sérgio Oliveira já jogaram na seleção dos seus países, sendo Chidozie uma grande promessa com provas dadas. Ainda assim, é preciso assumir que a equipa tem de ser reconstruída para ter um plantel mais equilibrado e com raízes no clube.

Sentir e jogar à Porto

Numa lição de humildade, Peseiro pôs o dedo na ferida e deu o seu próprio exemplo, assumindo ter um défice sobre o que é ser Futebol Clube do Porto. Há uma cultura que não pode ter sido assimilada por nenhum dos onze jogadores que iniciaram o jogo contra o Setúbal, porque "ninguém ganhou nada no clube com mais títulos nos últimos 30 anos", lembrou o treinador.

É claro que importa saber qual é a história do clube, mas coisa diferente é ensinar a quem joga como é que se chega às vitórias. É preciso jogar com garra, só parar de correr quando o jogo acaba, não ter medo de nenhum adversário, mas não é preciso ter nascido ali para se ser portista o resto da vida. Deco jogou em vários clubes, até no Barcelona, e é portista porque percebeu que quem ganha os jogos é quem está em campo. Esforcem-se.

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