Coronavírus: a primeira pessoa a testar uma vacina conta a sua experiência

Coronavírus: a primeira pessoa a testar uma vacina conta a sua experiência
Redação

No início de março, teve conhecimento de testes levados a cabo por um laboratório de Seattle, nos Estados Unidos, e não hesitou:

Chama-se Jennifer Haller, tem 44 anos e é mãe de dois filhos. É notícia porque tornou-se na primeira pessoa no mundo a receber uma possível vacina para combater a covid-19.

No início de março, Jennifer teve conhecimento de testes levados a cabo por um laboratório de Seattle, nos Estados Unidos, e não hesitou: ""Já nessa altura todos nós sentíamo-nos tão desamparados", contou ao jornal The Telegraph. "Não havia nada que eu pudesse fazer para ajudar a deter esta pandemia. Depois, vi esta oportunidade e pensei: 'bem, talvez haja algo que eu possa fazer", explicou enquanto cumpre o isolamento social naquela cidade do estado de Washington.

O sim clínico não foi instantâneo, no entanto. A funcionária de uma start up teve de sujeitar-se a uma série de exames médicos necessários para ser aprovada. Segundo contou ao jornal, familiares e amigos manifestaram-se preocupados com a opção e o marido perguntou-lhe se era realmente seguro.

O teste, conduzido pelo Kaiser Permanente Washington Health Research Institute, em Seattle, envolve a administração de duas doses de uma vacina experimental com 28 dias de intervalo. E depois um ano de monitorização. A vacina, denominada mRNA-1273, já foi testada em animais e revelou-se prometedora.

"Havia uma tonelada de riscos envolvidos. Mas eu sou uma pessoa realmente positiva e os benefícios disso superaram quaisquer riscos na minha mente", contou, referindo-se às 45 páginas de advertências, nomeadamente a de que os participantes no teste poderiam tornar-se mais vulneráveis a contrair o novo coronavírus.

Os cientistas têm insistido que a pandemia do coronavírus só terminará verdadeiramente quando for descoberta uma vacina eficaz. E isso poderá demorar um ano, Até lá, já se sabe, o isolamento e talvez alguma imunidade serão as melhores armas à disposição do mundo.

De volta a Jennifer Haller. Nas primeiras duas semanas do teste, foi-lhe pedido que mantivesse um registo diário de quaisquer sintomas. "No primeiro dia tive temperatura ligeiramente elevada. No segundo dia, o meu braço estava bastante dorido. Mas foi só isso - tudo ficou bem depois disso. Foi tão fácil como uma vacina normal contra a gripe", recordou, citada pelo The Telegaph.

Os testes, que envolvem outros 44 adultos, estão apenas no início. A segunda dose será tomada na próxima semana.

"No dia em que chegarmos à vacina, seja ela qual for, ficarei orgulhosa por ter feito parte do processo", disse, recusando qualquer elogio pela sua atitude. Esse, diz ela, deve ir para as "centenas de milhares" de pessoas que arriscam a vida enquanto continuam a ir para os seus empregos: profissionais de saúde, empregados de loja, agricultores. " Eles são quem realmente merecem".
"Essa humildade é genuína", afirmou ao jornal britânico. "Esta é uma coisa que posso fazer e fico feliz por o fazer. Não estou a salvar o mundo".